Brasil envia delegação a Viena para explicar enriquecimento de urânio

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Publicado terça-feira, 6 de abril de 2004 as 00:26, por: cdb

Uma delegação brasileira embarca para Viena na próxima semana para explicar à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que o Brasil procede o enriquecimento do urânio apenas com fins pacíficos – o de abastecer as usinas nucleares de Angra I e Angra II, responsáveis por 4,3% da energia consumida no país.

A delegação é chefiada pelo presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que está em negociações com a AIEA desde dezembro.

O questionamento sobre a inspeção da ONU do enriquecimento do urânio no país se dá no momento em que o país está transferindo a planta de Aramar (SP) para Resende, no Rio de Janeiro, onde o processamento será feito em maior escala. O objetivo do Brasil é chegar em 2008 com capacidade de ser auto-suficiente no enriquecimento do minério produzido no país.

O Brasil é o sexto maior produtor de urânio do mundo, mas apenas 25% do seu território foi pesquisado, o que pode indicar que há mais minério no restante do território. Hoje, parte do minério aqui explorado é enviado para a Europa, onde é enriquecido.

O sistema brasileiro é acompanhado, segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, por inspetores da ONU que conhecem qual o volume do urânio bruto é processado e qual o montante sai enriquecido – uma espécie de auditoria permanente. A partir deste acompanhamento é possível saber, portanto, que o volume enriquecido não é suficiente para desenvolver qualquer tipo de arma atômica.

O processo brasileiro – que mantém em sigilo o funcionamento das centrífugas utilizadas para o enriquecimento do urânio – está aprovado pela Agência Brasil-Argentina de Controle de Materiais Nucleares, entidade também reconhecida internacionalmente.

O governo brasileiro está em negociações técnicas com a AIEA que serão retomadas com a chegada da delegação a Viena na próxima semana. As negociações, iniciadas em dezembro, não foram concluídas, não havendo, portanto, um parecer definitivo da agência sobre o comportamento do Brasil em relação ao assunto.