Brasil e Madagascar se unem para proteger ecossistemas

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Publicado terça-feira, 23 de setembro de 2003 as 02:33, por: cdb

Ambientalistas estão muito contentes com a resolução do Congresso Mundial de Parques que ocorreu na última semana, onde o Brasil e Madagascar firmaram enormes compromissos de proteger ecossistemas cruciais.
 
As iniciativas podem se tornar históricas já que os países devem preservar os últimos traços de florestas tropicais do planeta, que são abundantes na sua mais preciosa commodity – a vida.

Os dois países esperam que a crescente indústria de ecoturismo atraia visitantes sensíveis em vez de madeireiros e fazendeiros que destruíram florestas inteiras.

Russell Mittermeier, o presidente da Conservação Internacional, saudou o plano de Madagascar de aumentar suas reservas florestais 1,7 milhão de hectares para 6 milhões em cinco anos, dizendo que este era ‘um dos mais importantes anúncios da história da biodiversidade’.
 
Em um desenvolvimento que pode ser ainda mais significativo, o estado brasileiro do Amapá inaugurou um corajoso projeto de criar um ‘corredor de conservação’ ligando 10 milhões de hectares em um cinturão de vida selvagem.

Os corredores são vitais em qualquer estratégia de longo prazo de preservar espécies já que conectam ecossistemas fragmentados.
Muitos cientistas afirmam que uma única e extensa reserva pode conter e proteger uma variedade maior de espécies do que várias menores que estiverem separadas.

Ecossistemas interligados permitem que grandes animais, incluindo predadores, transitem de uma seção a outra sem risco. Também permite que alguns animais sigam rotas de migração de seus ancestrais, o que pode ser essencial para a sobrevivência deles.
 
A divisão dos hábitats – por estradas, fazendas ou outras atividades humanas – é também uma das maiores causas de extinção.

O cinturão protegido incluirá o maior pedaço de floresta tropical do mundo e cobrirá 70 por cento do estado.

Pesquisadores estimam que o Amapá possua 96 por cento de sua vegetação intacta, a maior reserva da floresta amazônica.
 
Diplomatas dizem que o plano de aumentar as áreas protegidas de Madagascar será financiado por cerca de 150 milhões de dólares de doações.

No caso da quarta maior ilha do mundo, especialistas esperam que não seja tarde demais para salvar as criaturas mais raras e diferentes do mundo.

A singular vida selvagem da ilha inclui dezenas de espécies de lêmures, primatas antigos que têm uma relação distante com os humanos.

Mas, por Madagascar ser uma ilha, ficou muito vulnerável a ação humana, que chegou lá há apenas 2.000 anos e devastou a sua população de pássaros.

– Madagascar já perdeu 80 por cento de suas áreas naturais e continua perdendo estimadamente 200 mil hectares anualmente em desmatamentos – afirmou o Fundo Mundial da Natureza.

Muitas de suas áreas de conservação – como a famosa Reserva Analamazaotra – podem ter sido muito pequenas para sustentar a variedade de vida que existiu na ilha.