Brasil e China formalizam acordo para a construção de satálites

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Publicado quinta-feira, 28 de novembro de 2002 as 00:44, por: cdb

“Observar a terra por meio de satélites é, hoje, a maneira mais efetiva e economicamente viável de coletar dados para o monitoramento e a modelagem de fenômenos, quer naturais, quer decorrentes de atividades, especialmente em países de grande extensão territorial como é o caso do Brasil e da China”.

A afirmação foi feita, na manhã de hoje, pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, durante assinatura, com o embaixador da China, Jiang Yuande, de protocolo complementar ao acordo entre os dois países, que prevê a construção de dois satélites – CBERS-3 e CBERS-4.

Os satélites, que terão custo total de US$ 500 milhões, sendo US$ 300 milhões na primeira fase – US$ 100 milhões do Brasil e US$ 200 milhões da China – realizarão o sensoriamento remoto em áreas como monitoramento florestal, impactos ambientais, avaliação da produção agrícola e do crescimento urbano, gerenciamento de desastres naturais, entre outros. O CBERS-3 está com lançamento previsto para 2006.

Em 1988, os dois países haviam firmado um compromisso de cooperação que envolvia a construção de dois satélites, o CBERS-1, lançado em outubro de 1999 e ainda se encontra em órbita, e que levou Brasil e China a alcançar completa autonomia na geração de imagens de sensoriamento remoto sobre todo o planeta, e o CBERS-2, com lançamento previsto entre julho e setembro do próximo ano, na China.

Para Sardenberg, a assinatura complementar do acordo não significa apenas continuar o esforço “mas dar-lhe uma sensível nova dimensão”, destacou o ministro, completando que os esforços inovadores para a cooperação internacional tornaram-se não apenas bem vindos mas necessários.

“O CBERS se constitui na maior e mais bem sucedida experiência de cooperação pacífica entre dois países do Sul e demonstra que ambos alcançaram, na prática, o status de nações proficientes em pesquisa de desenvolvimento e que avançam a passos firmes em direção à vanguarda internacional no campo da ciência e da tecnologia”, observou Ronaldo Sardenberg, dizendo ainda que o engajamento do Brasil nessa iniciativa marcou o início de uma nova etapa do programa nacional de atividades espaciais e serviu como fator estratégico para a diversificação de parcerias. “O Programa CBERS corresponde de forma privilegiada a essa esperança de um Brasil melhor, de um mundo mais cooperativo e solidário”, afirmou o ministro Ronaldo Sardenberg.

O embaixador Jiang Yuande, por sua vez, disse que a China e o Brasil são dois grandes países em desenvolvimento e têm a responsabilidade de fazer contribuições para a paz e o desenvolvimento comum da humanidade. “A esse rumo vamos continuar a marchar para frente e de mão dadas”.

O acordo prevê ainda o estabelecimento de planos para a construção de uma ‘joint venture’ para comercializar e distribuir os produtos CBERS, além de negociar também as imagens geradas pelos satélites com outros países.