Brasil e Alemanha discutem parceria em programas ambientais

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Publicado segunda-feira, 9 de junho de 2003 as 19:49, por: cdb

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, discutiu nesta segunda-feira com a ministra de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, Heidemarie Wieczorek-Zeul, a continuidade da parceria entre os dois países em programas de proteção ambiental.

A Alemanha é o maior doador do Programa de Proteção às Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7). No mais recente acordo, foram destinados 35 milhões de euros para projetos ambientais na Mata Atlântica e para a demarcação de 18 milhões de hectares na Amazônia, dentro do Projeto Arpa.

A ministra alemã afirmou que seu país está disposto a continuar a colaborar com o Brasil. A ministra Marina Silva destacou a importância da cooperação entre os dois países.

– O governo brasileiro reconhece e valoriza as experiências desenvolvidas com apoio do governo alemão nos últimos 10 anos. Essas experiências estão sendo avaliadas para que deixem de ser experimentos e sejam transformadas em políticas públicas – disse Marina Silva.

As ministras conversaram, ainda, sobre o desafio de conciliar a redução da pobreza com a proteção ambiental. Marina Silva informou que programas do PPG-7 na Amazônia têm como objetivo criar alternativas de desenvolvimento sustentável para comunidades da região.

– A questão da sustentabilidade social, uma das diretrizes do governo, deve estar fortemente ligada à sustentabilidade ambiental – reforçou a ministra.

Durante o encontro foi enfatizada a necessidade de uma discussão global sobre o aumento de energias renováveis na matriz energética global, conforme foi proposto pelo Brasil na Rio + 10, realizada ano passado em Johanesburgo.

Em 2004 a Alemanha realizará uma conferência internacional para discutir o assunto, que tem oposição dos Estados Unidos e dos países produtores de petróleo. A ministra Marina Silva informou que, nos próximos meses, o Brasil irá sediar uma conferência preparatória com países da América Latina e Caribe.

– O Brasil pretende manter a posição de liderança internacional nas discussões sobre energia, mas para que tenha autoridade no plano externo, é preciso implementar o que tem proposto – disse a ministra.

A ministra Marina Silva lembrou que, embora 80% da matriz energética brasileira seja oriunda de fontes renováveis (hidrelétricas), o país discute formas de reduzir o impacto ambiental desses empreendimentos e também formas alternativas de energia, como a eólica, solar e de biomassa.

Ela destacou a existência de uma Agenda Ambiental do Setor Elétrico, uma iniciativa dos ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia no sentido de traçar políticas para o setor de forma ambientalmente sustentável.

A ministra da Cooperação da Alemanha afirmou que o consenso entre as posições brasileiras e de seu país nas questões ambientais deve servir de exemplo em um momento em que o mundo carece de acordos globais.

Para a ministra Marina Silva, a cooperação de 10 anos entre os dois países foi bastante frutífera e deve ser renovada.

– Uma parceria como esta deve continuar pelo menos pelos próximos 10 anos – concluiu a ministra.