Brasil discute ajuda ao Haiti no Conselho de Segurança da ONU

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Publicado terça-feira, 11 de janeiro de 2005 as 10:36, por: cdb

 O governo brasileiro dá esta semana mais um passo para reunir novos apoios em torno da recuperação política, social e econômica do Haiti. No comando das tropas das Nações Unidas para reconstrução do país desde julho de 2004, o Brasil participa nesta quarta-feira de reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir os rumos da ajuda internacional ao país.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim – que representará o governo brasileiro na reunião – disse estar otimista para que a opinião pública internacional continue mobilizada em prol da reconstrução do país.

– O mundo continua a existir. Outras coisas continuam a ocorrer como foi o tsunami na Ásia. A questão da Ásia não poderia fazer com que o foco nas questões da África fosse desaparecer. É a mesma coisa com relação ao Haiti. O Brasil acabou assumindo essa função de ser não o único, mas tendo por força de várias circunstâncias essa função de ser o ‘grilo falante’ em relação ao Haiti, de chamar sempre atenção sobre a situação do Haiti – ressaltou.

Na avaliação de Celso Amorim, a ajuda internacional ao Haiti correspondeu às expectativas do governo brasileiro. Ele ressaltou, em especial, os US$ 1,2 bilhão repassados ao país pela comunidade internacional para ajudar no pagamento da dívida do país com o Banco Mundial.

– Eu acho que há sim um interesse, até eu diria que o fato do Haiti ter reservas suficientes para dispensar esse empréstimo é sinal de que esse dinheiro está fluindo. Isto não é uma coisa que a gente consegue fazer do dia para a noite, nem pode. Se jogasse lá US$ 1,2 bilhão de repente não ia poder utilizar. Eu acho que estão caminhando, há uma compreensão para a importância disso.

Celso Amorim voltou a defender o tripé “segurança, diálogo e ajuda internacional” como os principais pilares para a reconstrução do Haiti. Segundo o ministro, o diálogo é essencial entre os próprios haitianos, e também com o resto do mundo, para facilitar as operações de segurança que têm como objetivo restabelecer a ordem no país.

A reunião do Conselho de Segurança terá o formato de um grande debate entre os membros do organismo para que cada país possa apresentar suas expectativas com relação ao futuro do Haiti. O ministro revelou que, ao final do encontro, será apresentada uma declaração presidencial, ainda em negociação pelos membros do Conselho, para reafirmar a importância do engajamento a longo prazo da comunidade internacional na questão haitiana.

Amorim deixou claro, no entanto, que não está prevista nenhuma conclusão direta para ações no Haiti – apenas um espaço para o debate.

– A reunião não é para tomar decisão transcedental. Até porque a decisão foi tomada um mês e meio atrás e é só daqui a quatro meses que temos que discutir de novo a prorrogação das tropas – esclareceu.

A atuação do Brasil à frente das tropas da ONU no Haiti, segundo Celso Amorim, foi fundamental para mobilizar as ações mundiais em favor dos haitianos.

– O fato de existir um Grupo do Conselho Econômico atuando em conjunto com o Conselho de Segurança, isso em boa parte se deve à própria ação do Brasil para que a questão do Haiti seja vista dessa maneira – disse.

O ministro embarcou nesta terça-feira para Trinidad e Tobago. Logo após a visita, Celso Amorim viaja aos Estados Unidos onde participa da reunião do Conselho de Segurança da ONU. Depois, segue para o continente africano onde visita cinco países até o próximo dia 19.