Brasil abrigará 100 refugiados e diz à ONU que pode receber mais

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Publicado quinta-feira, 13 de dezembro de 2001 as 20:01, por: cdb

Até fevereiro chegam ao Brasil cerca de cem refugiados do Afeganistão que estão agora em acampamentos na Índia e Irã. O Ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, comunicou nesta quinta-feira ao Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), em Genebra, que o país está disposto a receber mais refugiados, não apenas do Afeganistão, como também de outros países.

Esta será a primeira vez que o Brasil vai receber pessoas de campos de refugiados. O país tem hoje pouco mais de 2700 refugiados, na sua maioria africanos que desembarcam no país pedindo asilo por perseguição política, religiosa, entre outras.

A nova política, segundo o ministro, veio para ficar. “Apenas 16 países no mundo aceitam receber pessoas que estão vivendo em campos de refugiados. Essa atitude coloca o Brasil na vanguarda da frente humanitária para resolver o drama dos refugiados. O Brasil tem a ambição de aumentar sua presença política no plano internacional”, declarou o ministro da Justiça.

Aloysio Nunes veio à Genebra participar de um encontro na ONU onde ministros de 141 países discutiram meios para fortalecer a Convenção de Genebra de 1951, que trata da proteção de refugiados. O Brasil foi um dos primeiros signatários da convenção.

Num momento em que vários países fecham suas portas aos estrangeiros, especialmente após os ataques terroristas de 11 de setembro, nos Estados Unidos, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados recebeu a atitude brasileira como um exemplo. “Vários países nos dão dinheiro, mas não querem receber os refugiados. Nós apreciamos muitíssimo a atitude genuína do governo brasileiro”, declarou Hope Hanlan, diretora do Departamento do Acnur para as Américas.

Os refugiados afegãos chegam ao Brasil em dois grupos: 45 desembarcam em janeiro, e o restante em fevereiro. Há entre eles alguns doutorandos e analfabetos. Quatro cidades se ofereceram para recebê-los: Mogi das Cruzes (SP), Santa Maria Madalena (RJ), Natal (RN) e Porto Alegre (RS).

O Brasil já vinha se preparando há dois anos para receber os refugiados quando aconteceram os atentados de 11 de setembro. O Ministério da Justiça decidiu seguir com o programa e, agora, quer ampliá-lo. O recebimento de novos refugiados, entretanto, explicou o Ministro, não será um processo rápido, e vai depender da capacidade do país de absorvê-los.

O Brasil e o Acnur querem ver primeiro como a primeira leva de afegãos vai se integrar no país. Além disso, há todo um processo para verificar, por exemplo, o histórico de cada refugiado, para evitar que entre eles haja terroristas ou criminosos. Técnicos do Ministério foram até os campos de refugiados afegãos na Índia entrevistar os candidatos. As cidades que se oferecem para recebê-los também precisam garantir as condições para integrar os refugiados no mercado de trabalho.

“Na medida em que essa primeira experiência se consolide, podemos ampliá-la. Não queremos instalar famílias sem nenhum cuidado. É preciso que elas tenham condicões de se integrar na sociedade brasileira, de trabalhar, fazer os filhos estudarem, se entrosarem nas relações de vizinhança”, concluiu o ministro.