BR-163 é bloqueada por manifestantes no Pará

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Publicado sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005 as 17:17, por: cdb

Mesmo após encontro dos representantes do governo federal com o setor madeiro, a BR-163 continua bloqueada na altura do município de Novo Progresso, no Pará. Os manifestantes pedem a prorrogação do prazo para recadastramento das terras com mais de 100 hectares

Em entrevista à Radiobrás, o prefeito de Novo Progresso, Tony Gonçalves (PPS), afirma que a situação do município piorou depois do encontro desta quinta-feira:

– A situação piorou depois do acordo que foi feito em Brasília. A situação ficou mais tensa, porque para o município não tem nenhum documento dizendo que o pessoal vai vir aqui pra poder resolver, sentar e conversar com a população.

Tony Gonçalves critica a visão da imprensa de que os manifestantes seriam apenas madeireiros.

– A solicitação não é de madeireiros, mas, sim, do produtor rural, do colono – defende.

Nesta quinta-feira, o governo reavaliou a decisão de suspender todos os planos de manejo florestal da Amazônia Legal, mas decidiu manter o recadastramento dos proprietários de terra, seja de uso madeireiro ou agropecuário.

Após a reunião, o presidente do Sindicato da Indústria Madeireira do Sudoeste do Pará, Luiz Carlos Tremonte, disse que iria “tranqüilizar” o grupo que lidera o bloqueio da BR-163 (Cuiabá-Santarém) o mais rapidamente possível e garantir o fim do isolamento do município de Novo Progresso. O grupo que se reuniu no Ministério do Meio Ambiente não é o que lidera o protesto na região.

– Estamos com racionamento de energia e a comida está acabando. Estamos tentando conversar com o pessoal para, pelo menos abrirem para passar caminhões com diesel, mas eles não aceitam e dizem que se passar irão queimar os caminhões – relata o prefeito.

O vereador peemedebista e produtor rural, José Alves dos Santos, também pede diálogo com o governo federal para prorrogar o prazo de recadastramento.

– A imprensa nacional está em cima dos madeireiros por que eles estão há mais tempo estão brigando pela liberação dos projetos de manejo de extração de madeira. Temos a informação de que foi feito um acordo com o representante dos madeireiros, mas nenhum representante dos posseiros aqui do município estava lá para expor o problema da portaria – afirma.

O bloqueio da rodovia entra no nono dia. Há riscos de desabastecimento e falta de energia, porque a usina termoelétrica da região não está recebendo óleo diesel.