BPN pode ter financiado campanhas eleitorais do PSD

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Publicado sexta-feira, 30 de novembro de 2012 as 11:10, por: cdb

O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, afirmou esta quinta feira que existem “fortes indícios” de que uma parte do dinheiro que circulou “entre o BPN e a sua clientela favorita” serviu para financiar partidos e campanhas partidárias, referindo-se ao PSD. Artigo |30 Novembro, 2012 – 16:04 Foto de Paulete Matos.

O dirigente bloquista, convidado para participar no painel sobre “Novos desafios à regulação e supervisão do financiamento dos partidos políticos e campanhas eleitorais”, integrado na Conferência “Dinheiro, influência, poder: Proteger a democracia dos riscos da corrupção”, adiantou que tem “fortes razões para admitir que alguns daqueles muitos e muitos milhões que circularam entre o BPN e a sua clientela favorita, alguns desses milhões alimentaram candidatos e alimentaram partidos”.

À margem da conferência, João Semedo explicou que “o partido que estava mais próximo dessa realidade, por via dos seus antigos ministro, era o PSD”, sendo que era ao partido de Pedro Passos Coelho que se estava a referir.

O deputado do Bloco de Esquerda, que integrou as duas comissões de inquérito sobre o BPN, salientou que, “ao longo de muitas audições e muitos documentos, havia fortes indícios que uma parte pequena, muito pequena, de todo aquele dinheiro que por ali circulou [no BPN], foi para financiamento partidário”.

A comissão tinha, contudo, e segundo avançou João Semedo, “outro mandato, que estava aprovado na Assembleia da República, e, portanto, não se preocupou com o financiamento ilícito de partidos”.

O coordenador do Bloco de Esquerda salientou ainda que, da sua experiência nas comissões parlamentares de inquérito sobre o BPN, reteve também que “é que é muito difícil investigar, averiguar, conhecer, os circuitos do dinheiro”.

“Isto levanta a questão de se nós dispomos ou não dos meios de investigação suficientes para poder ir atrás daquilo que se pode chamar a circulação ilícita do dinheiro e do financiamento partidário. Acho que isso não tem nada a ver com a legislação nem nada a ver com o modelo, é evidente em Portugal”, afirmou.