Boy band iraquiana espera estrelato com queda de Saddam

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Publicado quinta-feira, 12 de junho de 2003 as 18:25, por: cdb

Eles se chamam Unknown To No One, o que numa tradução literal seriam “desconhecidos para ninguém”. Mas os cinco iraquianos que querem se tornam a próxima sensação mundial das boys bands não são exatamente famosos. Ainda.

Apesar de não terem lugar para ensaiar – o que os força a cantar juntos em um velho Volkswagen Passat dirigindo pelas ruas de Bagdá – os jovens atraíram o interesse de um agente britânico, que acha que eles têm futuro.

A queda de Saddam Hussein oferece uma chance para que eles realizem o sonho. Mas os grupos militantes muçulmanos que estão se tornando cada vez mais influentes no Iraque não gostam muito de garotos cantando e dançando com roupas iguais.

Cinemas, cervejarias e lojas que vendem álcool foram ameaçadas e atacadas por grupos militantes e em muitas áreas as mulheres receberam ordens de usar véu. Mas a Unknown To No One afirma que os extremistas não vão atrapalhar seus planos.

– Vivemos sob ditadura durante 35 anos. Não estou preparado para passar por isso de novo, não acho que ninguém esteja. Se as pessoas nos atacarem porque estamos em um grupo musical, é terrorismo – disse o vocalista Nadeem Hamed, estudante de biologia de 20 anos.

Os membros do conjunto têm representantes de vários espectros raciais e religiosos do Iraque.

Os fundadores Art Haroutunian, 25 anos, e Shant Garabedian, 24 anos, são cristãos armênios. Diyar Diler, 21 anos, é muçulmano curdo. Hamed e Hassan Ali al-Falluji são árabes xiitas.

“Somos como irmãos. Não há racismo. Não há guerra civil”, disse Haroutunian, compositor do grupo.

Haroutunian e Garabedian formaram a banda em 1999, inspirados por grupos como Backstreet Boys e Westlife.

“Eles são famosos e sua música é realmente legal”, disse Faluji. Mas o estilo ocidental do grupo, com cortes de cabelo e roupas ocidentais e música em inglês, desagrada a muita gente no Iraque.

– Saddam e seu regime eram hostis ao Ocidente e tudo da cultura ocidental era considerado destrutivo para nossa sociedade – disse Haroutunian.

O CD que eles gravaram vendeu menos de 2.000 cópias, mas um acabou nas mãos do caçador de talentos britânico Peter Whitehead, que adorou a faixa Hey Girl e pretende vir a Bagdá conversar com o grupo.

Garabedian disse que, apesar das dificuldades do pós-guerra em seu país no momento, se eles tiverem uma chance, chegarão ao topo.