Bovespa sobe 1,7% no mês, com cena política mais leve

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Publicado quarta-feira, 31 de março de 2004 as 20:37, por: cdb

Após um mês bastante volátil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou março em alta de quase 2 por cento, a primeira mensal deste ano. A retomada da trajetória de corte de juros e as medidas do governo para acalmar as turbulências políticas possibilitaram a recuperação da bolsa paulista.

“Essa semana a gente está recuperando preços. Tivemos queda muito grande na semana passada, principalmente pela parte política”, comentou o gestor de renda variável da Santos Asset Management Eduardo Fornazier. “Você está tendo esvaziamento da crise política e retomada das captações lá fora. Isso ajuda a melhorar o humor”, complementou.

Segundo analistas, a sinalização do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, de que a política monetária manterá o curso atual e a aprovação da medida provisória que proíbe bingos na Câmara dos Deputados contribuíram para o alívio das tensões políticas agora.

Alguns operadores disseram que a fita mostrada pela rede Globo na véspera também ajudou. A fita mostrava um subprocurador da República tentando obter do empresário do jogo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o vídeo em que o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz pede dinheiro para si e para candidatos a governador. Segundo esses operadores, a matéria indica que havia intenção de prejudicar o governo.

Os eventos aliviaram as crescentes pressões por mudanças na política monetária e a dificuldade do governo em contornar a crise deflagrada pelas denúncias de corrupção.

O ganho de 1,78 em março março foi o primeiro mensal da Bovespa este ano, após a alta de quase 100 por cento registrada em 2003. O movimento foi marcado pela saída de investidores estrangeiros, pela atuação de tesourarias e também pela queda do volume médio diário, de 1,3 bilhão de reais para cerca de 1 bilhão de reais.

Depois de registrar em fevereiro saldo recorde de recursos externos de 1,57 bilhão de reais, março pode exibir o pior resultado desde maio do ano passado. Segundo dados da Bovespa, entre 1 e 29 de março o saldo está positivo em apenas 33,2 milhões de reais.

No ano, o Ibovespa acumula leve queda de 0,4 por cento. Em abril, analistas acreditam que a bolsa pode exibir discreta recuperação.

“O mercado vai continuar volátil mas estou com expectativa de um mês um pouco melhor, agora que o governo sinalizou que voltará a cortar os juros”, previu o diretor da corretora Novação Alberto Ribeiro.

Último pregão do mês

O Ibovespa fechou em alta de 0,45 por cento, a 22.142 pontos. O pregão foi um retrato de uma cena comum este mês, com muito sobe-e-desce. Na máxima do dia subiu 0,97 por cento e, na mínima, recuou 0,77 por cento.

O volume financeiro foi de 1,349 bilhão de reais, em parte inflado pelo leilão de venda de ações do Bradesco, que sobraram do grupamento realizado pela banco até o dia 19 de março, na proporção de 10 mil para uma. A operação movimentou 152,786 milhões de reais.

Os papéis do Bradesco fecharam em baixa de 1,97 por cento, a 139 reais a unidade. Já as preferenciais da Telemar, as mais líquidas do pregão, caíram 1,97 por cento, para 37,35 reais o lote de mil.