Bovespa ignora freio do PIB e festeja aperto fiscal recorde com 3ª alta

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Publicado quinta-feira, 29 de maio de 2003 as 18:31, por: cdb

A Bovespa ignorou o anúncio de que o Brasil estagnou no primeiro trimestre e preferiu festejar o dado de que o governo fez em abril uma economia recorde para pagar juros da dívida.

Resultado: o Ibovespa cravou a terceira alta consecutiva. Avançou 0,83%, para 13.405 pontos. Na próxima sexta-feira, o índice deve fechar maio acumulando ganhos. Será o terceiro mês seguido no azul e uma sinal da recuperação dos preços das ações.

Esse movimento só será acelerado se confirmada a queda dos juros básicos pelo Banco Central no próximo dia 18 de junho, principal condição para reduzir o custo do capital e estimular a retomada da produção e o consumo.

Isso ajuda a explicar o motivo de a queda de 0,10% do PIB (Produto Interno Bruto, total de riquezes produzidas por um país) no primeiro trimestre, em relação ao quarto trimestre de 2002, ter sido ignorada nesta quinta-feira pelo mercado acionário.

Para analistas, os investidores olham para o futuro e esperam medidas do governo, como o corte de juros e a aprovação das reformas estruturais, para tirar a economia da rota da recessão e atrair mais investimentos externos para o país.

Nesta quinta-feira o governo divulgou que poupou no mês passado R$ 9,8 bilhões para pagar os juros, o chamado “superávit primário”. Esse dado ajuda a reforçar a confiança do mercado internacional no país, pois ajuda a afastar o medo de um calote na dívida.

A dívida do setor público somou, no mês passado, 52,2% do PIB, abaixo do percentual de março (55,3%). Essa redução refletiu a continuidade da queda do dólar no período, o que aliviou o tamanho da dívida.

Nesta quinta-feira, o dólar caiu 2,52%, cotado a R$ 2,93. Rumores de que o governo prepara um novo lançamento de títulos da dívida, após a emissão soberana feita em abril, ajudaram nessa queda.

Outro indicador favorável veio após o fechamento do mercado. A inflação no atacado, medida pelo IGP-M, apontou deflação de 0,26%, acima das projeções do mercado (entre 0,10% e 0,15%). Essa queda dos preços ainda não chegou ao varejo, mas ajuda a reforçar a aposta em um corte de juros.