Botijão pode subir mais 23% este ano

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Publicado quinta-feira, 1 de agosto de 2002 as 09:22, por: cdb

O botijão de gás poderá subir mais 23% este ano, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo. De acordo com o diretor da entidade, Lauro Cotta, a cotação internacional do produto tende a crescer até o fim do ano, em função do inverno no hemisfério Norte. “Mantida a política de preços da Petrobrás, com dólar a R$ 3,20, o gás vai subir muito até o fim do ano”, afirmou o executivo. A estatal já poderia ter reajustado o preço do produto este mês, segundo cálculo da consultora Fabiana Fantoni, da Tendências. Sob forte impacto da desvalorização do real, o quilo do GLP, convertido para moeda nacional, subiu 8% no mercado externo. O Sindigás concorda e projeta uma alta de 7% no início de agosto. A Petrobrás tem mantido reajustes mensais para o gás de botijão. Fabiana acredita, porém, que a empresa vai esperar a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para o próximo dia 6, para definir novos reajustes. Até o final da tarde de hoje, a empresa não havia se manifestado sobre o assunto.
O Sindigás propôs duas medidas para a redução do preço do botijão para o consumidor em até 15%. Uma delas seria a retirada do custo do frete na formação de preço dos 70% do volume consumido que são produzidos no Brasil. Além disso, propõe Cotta, a Petrobrás poderia adotar uma fórmula de reajustes com média semestral de câmbio, o que reduziria o impacto da volatilidade do câmbio no preço final do produto. A Petrobrás informou que seu preço está alinhado com o mercado e que “não reconhece a legitimidade do Sindigás para fazer tal proposta, alegadamente no interesse comum, quando de uma forma clara se esforça em preservar sua margem de distribuição e revenda que representa 50% no preço final do GLP”.
Para a Federação dos Revendedores de GLP (Fergás), porém, o principal culpado pela alta dos preços é o segmento de distribuição. A entidade propõe o fim da exclusividade de bandeira, cada revendedor só pode vender botijões de um fornecedor, da verticalização e da concentração no segmento. Segundo a Fergás, cerca de 95% do mercado é atendido por apenas seis empresas.