Bombardeio deixa Bagdá em chamas

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Publicado quinta-feira, 27 de março de 2003 as 21:18, por: cdb

Bagdad sofreu, no final da noite desta quinta-feira (horário local), o pior de uma série de bombardeios que estremeceram toda a capital iraquiana durante todo o dia. Entre os alvos, um dos palácios do presidente Saddam Hussein, já visado em ataques anteriores, voltou a ser atingido.

Passava das 23h (16h em Brasília) quando o silêncio na cidade foi rompido pelo estrondo de mísseis. Instantes depois, era possível perceber diversos focos de incêndio e uma impressionante coluna de fumaça negra cobrindo o céu.

A emissora de televisão Al Jazeera informou que ambulâncias teriam sido atingidas no último bombardeio. As explosões foram tão fortes que, em Washington, funcionários do Pentágono apressaram-se em esclarecer que a maior bomba do arsenal norte-americano – a MOAB, apelidada de “mãe de todas as bombas” e com nove toneladas de peso – não havia sido despejada sobre Bagdad.

Ao longo do dia, em que a campanha militar anglo-britânica no Iraque entrou em sua segunda semana, a população iraquiana descreveu o impacto de pelo menos quatro ondas de bombardeios, desde as primeiras horas da manhã até às 22h.

Moradores de Bagdad contaram que o palácio presidencial de al-Salam, bombardeado na semana passada, foi novamente atacado. Também foi alvejado um centro de comunicações público no coração da capital, disseram testemunhas, bem como posições militares nos limites oriental e meridional de Bagdad.

Nas primeiras ondas de bombardeios, aviões da coalizão que sobrevoavam a cidade atraíram fogo antiaéreo, segundo um correspondente da agência de notícias Reuters.

Pouco depois, outra série de explosões sacudiu o centro da cidade; bombas caíram perto do Ministério da Informação. Os veículos de comunicação estatais aparentemente não foram atingidos; autoridades iraquianas concederam uma entrevista coletiva no prédio do ministério, transmitida pela TV, logo após a rodada de bombardeios vespertinos.

Moradores disseram, também, que muitos dos bombardeios mais recentes se concentraram em áreas da periferia, onde estariam unidades da Guarda Republicana.

Na quarta-feira, 15 civis morreram quando um mercado no bairro residencial de Shaab, no norte de Bagdad, foi atacado. As autoridades iraquianas e testemunhas atribuíram as explosões que causaram as vítimas a um bombardeio de mísseis norte-americanos.

Os Estados Unidos, no entanto, rejeitaram as acusações e levantaram a hipótese de as próprias Forças Armadas do Iraque terem atacado o mercado.

Passada uma semana de bombardeios, o ministro da Saúde iraquiano, Umid Midhat Mubarak, disse que pelo menos 350 civis foram mortos nos ataque.

“Homens e mulheres estão sendo atacados, da mesma forma como os soldados. A maioria destes mártires é de crianças, mulheres e idosos que não têm como se proteger”, afirmou Mubarak.

Segundo Christopher Stokes, porta-voz do grupo internacional de voluntariado Médicos Sem Fronteiras, o Hospital Al-Khindi, de Bagdad, já recebeu 250 civis feridos em bombardeios.