Boff defende desenvolvimento sustentável com justiça social e econômica

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 17:39, por: cdb

A preocupação com o desenvolvimento sustentável cresceu nos últimos anos, mas o conceito já está superado, alertou o teólogo e ex-frade franciscano Leonardo Boff no 5º Fórum Social Mundial. Segundo ele, não se pode mais continuar a defender apenas o desenvolvimento que não esgota os recursos naturais. É preciso buscar, primeiro, a sustentabilidade do ser
humano, e isso inclui justiça social e econômica e o resgate de valores éticos e espirituais.

– Mais da metade da humanidade está excluída. A injustiça social é a injustiça ecológica contra o ser humano – disse Boff para uma platéia de mais de 800 pessoas durante a divulgação, no fórum, da “Carta da Terra”, um documento com princípios éticos elaborado por ambientalistas e movimentos sociais para guiar a sociedade e os governantes.

Boff criticou o modelo de desenvolvimento econômico mundial e o agronegócio brasileiro. O Brasil, segundo ele, é o grande país das monoculturas – café, soja, cana, cítricos.

– Isso está destruindo a qualidade do solo e impedindo a manutenção da diversidade – comentou.

Para ele, a sociedade precisa se despedir do modelo de desenvolvimento que não é socializado e adotar um novo conceito de sustentabilidade, que não tenha origem na área econômica, mas venha da área biológica, que percebe a interdependência de todos os seres.

A idéia de elaboração de uma “Carta da Terra” surgiu na Conferência da ONU sobre meio-ambiente realizada no Rio de Janeiro em 1992, mas, na época, não havia consenso entre os ambientalistas em relação à incorporação ao conceito de ecologia de idéias como justiça social e econômica e espiritualidade. A “Carta da Terra” está sendo distribuída em escolas e espaços comunitários, e os movimentos sociais estão se mobilizando para que ela seja adotada pela
ONU.