Bob Esponja não é nem gay nem heterossexual, diz seu criador

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Publicado domingo, 30 de janeiro de 2005 as 10:31, por: cdb

O criador de Bob Esponja, o personagem que provocou o lançamento de um alerta gay por grupos conservadores cristãos nos Estados Unidos, disse que o bichinho não é nem gay nem heterossexual. Ele é assexual.

Pelo menos dois grupos ativistas cristãos disseram que o personagem Bob Esponja, além de seu melhor amigo, Patrick, estão sendo explorados para promover a aceitação do homossexualismo.

O criador do Bob Esponja, Stephen Hillenburg, 43 anos, declarou que as alegações são exageradas e sem fundamento e que sua agenda não vai além da diversão e do entretenimento.

“Isso não tem nada a ver com o que nós tentamos fazer”, disse Hillenburg à Reuters em entrevista na sexta-feira, dois dias antes da estréia asiática de “Bob Esponja — O Filme”, em Cingapura.

“Nunca tivemos a intenção de que Bob Esponja e Patrick fossem gays. Eu os vejo como quase assexuais. Tentamos apenas fazer graça.”

O ingênuo Bob Esponja, que vive num abacaxi no fundo do Oceano Pacífico, foi “tirado do armário” pela mídia norte-americana em 2002, depois de relatos de que o programa da TV Nickelodeon e seus produtos associados seriam populares entre o público gay.

O influente radialista evangelista norte-americano James Dobson, cujas principais pautas políticas são a oposição ao casamento homossexual e ao direito do aborto, disse na semana passada que Bob Esponja trazia um discurso “pró-homossexual”.

Bob Esponja é um dos astros de um vídeo musical que será enviados a 61 mil escolas norte-americanas em março. Os criadores do vídeo, a Fundação sem fins lucrativos Nós Somos a Família, diz que o objetivo do trabalho é encorajar a tolerância e a diversidade.

Hillenburg, que antes de trabalhar com animação era professor de ciências marinhas, vive em Hollywood, é casado e tem um filho de 6 anos. Ele afirma pensar que “existem coisas mais importantes com que nos preocuparmos” e afirma que não presta muita atenção à polêmica toda.

Para ele, alegações desse tipo são comuns na história do entretenimento infantil e das histórias em quadrinhos.

“É só pensar em ‘O Gordo e o Magro’ ou em ‘Ernie e Bert”‘, disse ele, fazendo referência a dois ícones do humor americano. A primeira dupla cômica era dos anos 1930, e a segunda do seriado de TV americano “Vila Sésamo”.

Em 1999, os Teletubbies, da Grã-Bretanha, foram mergulhados numa polêmica sexual por um líder religioso americano que avisou aos pais que deveriam ficar alertas a mensagens sutis enviadas por Tinky Winky, um dos quatro personagens andróginos, escolhidos por sua cor roxa e a antena triangular que carregava na cabeça, ambos símbolos do orgulho gay.

A Nickelodeon já criou 60 episódios de “Bob Esponja” desde o surgimento do personagem, em 1996, e está trabalhando sobre outros 20. A rede diz que o seriado é grande sucesso na Indonésia e já foi traduzido para o hindi, o coreano e o japonês.

Hillenburg, que produziu e dirigiu ele próprio o primeiro filme sobre Bob Esponja, empregou astros como Alec Baldwin e Scarlett Johansson para dublar alguns dos personagens, e o ator David Hasselhoff, do seriado “Baywatch”, apareceu em pessoa no filme.