Blix sobre o primeiro dia no Iraque: “Foi um bom começo”

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Publicado quinta-feira, 28 de novembro de 2002 as 00:56, por: cdb

O chefe dos Inspetores de armas da ONU, Hans Blix, definiu o primeiro dia de atividades no Iraque como “um bom começo”. Blix falou em Nova York, depois que os inspetores concluíram nesta quarta-feira, sua primeira missão no Iraque em quatro anos.

Acompanhados de funcionários iraquianos, os inspetores visitaram complexos militares e industriais em Bagdad, iniciando o processo para investigar a existência de armas de destruição em massa no Iraque.

Os responsáveis pelas equipes de inspetores atualmente em Bagdad também falaram à imprensa, dando uma avaliação positiva sobre o nível de cooperação das autoridades iraquianas.

“Conseguimos realizar as atividades planejadas”, disse à imprensa o chefe da equipe da Comissão de Monitoração, Verificação e Inspeção da ONU (UNMOVIC), Dmitri Perricos.

O chefe dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Jacques Baute, disse por sua vez não ter encontrado obstáculos ao trabalho de sua equipe.

“Fomos recebidos de forma profissional e educada, e conseguimos fazer o trabalho programado”, disse.

Horas antes, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, havia se referindo o início do trabalho das inspeções, ressaltando que as informações recebidas eram positivas.

Annan disse que o trabalho dos inspetores tinha começado de forma “muito boa” e que esperava que esse nível de cooperação prosseguisse.

Divisão do trabalho
Onze inspetores da ONU estão concentrados no trabalho de encontrar armas químicas, biológicas e mísseis, e seis membros da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) de investigar se o Iraque tem capacidade de produzir armas nucleares.

A equipe da Aiea – órgão que faz parte da ONU – fez sua primeira inspeção por volta das 9h da manhã (hora local) em um pequeno complexo industrial, em Bagdad, segundo o correspondente da CNN na cidade, Nic Robertson.

Pouco depois do início das primeiras inspeções, sirenes alertando sobre ataques aéreos soaram na capital, enquanto um rastro de fumaça de avião era visto no céu. O estado de alerta durou 10 minutos.

Um porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos, Nic Balice, disse em Tampa, na Flórida, que não havia recebido informações sobre nenhuma atividade aérea norte-americana no Iraque.

Balice disse que as sirenes costumam soar regularmente em Bagdad.

Em Londres, um porta-voz do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha negou que tivesse havido uma incursão aérea nesta quarta-feira.

“Eu posso confirmar, definitivamente, que não houve atividade aérea da coalizão sobre Bagdad – de fato, não houve atividade aérea alguma em toda a região e isso inclui as zonas de exclusão aérea no Iraque”, declarou.

Um porta-voz da ONU na capital iraquiana disse que nenhuma aeronave da organização sobrevoou Bagdad. Pouco depois, ele recuou, afirmando que não podia falar sobre nenhuma atividade de inteligência.

Robertson disse que o primeiro local de inspeção era um complexo murado, que estava protegido por soldados e que incluía seis depósitos.

A equipe de inspetores chegou acompanhada de autoridades iraquianas.

O correspondente acrescentou que as equipes da ONU e da Aiea pareciam estar operando de forma independente, e que cada uma seguiu uma direção diferente depois de deixar sua sede em Bagdad.

Esforço para “descobrir a verdade”
Um porta-voz da ONU disse que o reinício das inspeções será uma oportunidade, longamente esperada, para descobrir o que está acontecendo no Iraque depois de anos de análise de fotografias tiradas por satélites, apenas.

Já a porta-voz da Aiea Melissa Fleming declarou à CNN que os inspetores estão se concentrando em duas tarefas básicas – obter “total e completa cooperação dos iraquianos” e “descobrir a verdade”.

Autoridades norte-americanas e britânicas afirmaram que as inspeções requerem cooperação completa do presidente iraquiano, Saddam Hussein, para serem consideradas um sucesso.

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