Blair tenta resgatar trabalhistas às vésperas de uma derrota

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Publicado terça-feira, 2 de maio de 2006 as 11:30, por: cdb

Primeiro-ministro britânico, Tony Blair assumiu, pessoalmente, a coordenação da campanha dos trabalhistas para as eleições municipais desta quinta-feira na Inglaterra, após as pesquisas indicarem que seu partido pode sofrer uma de suas piores derrotas. Blair começou nesta terça-feira sua campanha em Blackpool, noroeste da Inglaterra, onde afirmou a representantes sindicais que os últimos problemas de seu governo não devem ofuscar tudo que o Partido Trabalhista conquistou nos últimos nove anos.

Blair reconheceu que o partido passa por momentos difíceis – por causa da polêmica causada pela libertação de criminosos estrangeiros sem analisar sua deportação -, mas afirmou que “nove dias de manchetes nos jornais não deveriam ofuscar nove anos de conquistas”.

– Quando alguém está no terceiro mandato de governo, é especialmente difícil. O terceiro mandato de governo é melhor que um quarto mandato na oposição – ressaltou Blair, que nas eleições gerais do ano passado conseguiu para seu partido um histórico terceiro período consecutivo no governo.

O primeiro-ministro também pediu aos eleitores que se lembrem dos avanços de sua Administração na economia, na educação, nos hospitais e na melhora na situação econômica dos aposentados. As eleições de 4 de maio servirão para conhecer o nível de apoio do eleitorado britânico ao governo Blair, quem nesta segunda-feira completou nove anos no poder. Nas eleições locais de quinta-feira, serão eleitos 4.360 vereadores em toda a Inglaterra e também se votará nos 32 bairros de Londres para suas respectivas prefeituras.

Com esta campanha, Blair tenta amenizar a derrota eleitoral que seu partido pode sofrer após a crise causada pelo caso dos criminosos estrangeiros e pelo escândalo sexual que atinge o vice-primeiro-ministro britânico, John Prescott. Os comentaristas não descartam que o principal partido britânico sofra sua pior derrota em eleições municipais em quase 40 anos. Prescott, da ala sindical tradicional do partido, é visto como um político chave no governo, pois atuou como “ponte” entre o antigo e o Novo Trabalhismo de Blair.

Os dois principais partidos da oposição, o Conservador e o liberal-democrata, pedem a renúncia do ministro do Interior, Charles Clarke, considerado o responsável por não analisar a deportação de delinqüentes estrangeiros. Segundo o Ministério do Interior, 1.023 estrangeiros foram colocados em liberdade entre 1999 e março deste ano após cumprirem suas penas, mas cinco deles voltaram a cometer crimes.

Prescott é centro de outro escândalo, após ter sido revelado que teve relações íntimas com sua secretária Tracey Temple, que relatou todos os detalhes do romance ao Mail on Sunday. Temple teria recebido mais de 150 mil euros pelas informações. A secretária acusou Prescott de abuso de poder, já que usou carros oficiais para seus encontros amorosos. Aos problemas destes dois ministros se somam os da ministra da Saúde, Patricia Hewitt, criticada pela oposição devido à crise financeira que atinge o Serviço Nacional de Saúde.

Segundo os comentaristas, a situação de Clarke, aliado de Blair, deixa o primeiro-ministro cada vez mais isolado, após perder outros ministros próximos, como Peter Mandelson (Irlanda do Norte) e David Blunkett (Interior). Além disso, as ministras da Cultura e da Educação, Tessa Jowell e Ruth Kelly, também aliadas do primeiro-ministro, enfrentam dificuldades em suas respectivas pastas. Alguns deputados trabalhistas consideram que chegou a hora de Blair fixar a data de sua saída para deixar a liderança do Partido Trabalhista nas mãos do ministro da Economia, Gordon Brown, considerado seu sucessor natural.