Blair reafirmou compromisso de desarmar o Iraque

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Publicado quarta-feira, 12 de março de 2003 as 14:39, por: cdb

Um dia após o secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, declarar que os Estados Unidos estão dispostos a ir à guerra com ou sem a ajuda da Grã-Bretanha, o primeiro-ministro Tony Blair reiterou o compromisso de Londres de desarmar o Iraque e pressionar pela aprovação de uma nova resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Acho importante nos mantermos firmes nesse curso”, afirmou o premier numa sessão do Parlamento. “O que está em jogo não é se os Estados Unidos agirão sozinhos, mas se a comunidade internacional respaldará instruções claras (para o Iraque) com a necessária possibilidade de ação”.

“Pretendemos fazer passar uma nova resolução”, garantiu Blair. “O pior que poderia acontecer é ver (o presidente iraquiano) Saddam Hussein desafiar a vontade expressa na resolução 1.441”, aprovada em novembro.

“Há uma ameaça real para esse país, e se não lidarmos com ela, nosso país e o mundo ficarão menos seguros”, alertou.

“Se deixarmos Saddam ficar com suas armas de destruição em massa, na próxima vez que algo similar acontecer as Nações Unidas terão menos autoridade”, advertiu. “O que está em jogo é todo o processo multilateral”.

Blair acusou a França e a Rússia – que ameaçaram vetar uma nova resolução – de minar a segurança mundial e prejudicar a unidade das Nações Unidas.

A proposta de resolução pode ser votada ainda essa semana.

Lista de exigências

Ainda na sessão parlamentar, Blair explicou que seu governo proporia uma lista de exigências que o Iraque teria que cumprir para provar que está se desarmando e evitar um ataque.

Entre tais condições, o Iraque teria que revelar onde estão seus estoques de antraz ou apresentar documentação comprovando que os destruiu; permitir que pelo menos um cientista seja entrevistado pelos inspetores das Nações Unidas fora do país; e entregar qualquer aeronave ou equipamento que poderia ser usado para borrifar produtos químicos.

A proposta de resolução já apresentada ao Conselho de Segurança da ONU pela Grã-Bretanha, com o apoio dos Estados Unidos e da Espanha, dá ao Iraque até o dia 17 de março para se desarmar, mas autoridades em Londres planejam agora postergar esse prazo para que Bagdad possa honrar a lista de exigências.