Blair quer testar Saddam

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Publicado quarta-feira, 12 de março de 2003 as 17:05, por: cdb

Às voltas com uma profunda crise em seu governo devido à abordagem em relação ao Iraque, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, propôs, nesta quarta-feira, que Saddam Hussein seja submetido a seis testes, como forma de evitar uma nova guerra no Golfo Pérsico.

Blair aproveitou um discurso na Câmara dos Comuns para apresentar as condições que Saddam teria que cumprir para provar que está mesmo se desarmando.

As condições são as seguintes:

– Que o Iraque apresente seus estoques de antraz ou forneça provas por escrito de que destruiu a bactéria;

– Permita o encontro de pelo menos um cientista iraquiano, sozinho, com inspetores das Nações Unidas em um outro país;

– Preste contas de qualquer avião não-tripulado ou equipamento capaz de propagar agentes químicos;

– Entregue todos os laboratórios móveis usados na produção de agentes biológicos;

– Destrua todos os mísseis considerados ilegais;

– Que Saddam Hussein faça uma declaração pública, na televisão iraquiana, admitindo possuir e esconder armas de destruição em massa. E que se comprometa em entregá-las à ONU.

Blair disse, no Parlamento, que a Grã-Bretanha e seus aliados ainda tentam elaborar emendas à nova resolução apresentada ao Conselho de Segurança da ONU, as quais estabeleçam “um conjunto muito claro de testes para o Iraque provar que está cumprindo totalmente” as exigências de desarmamento.

A princípio, britânicos e norte-americanos definiram a próxima segunda-feira, dia 17, como a data final para que Saddam Hussein se desarme. Mas diplomatas em Londres observaram que este prazo poderia ser ampliado de modo que o Iraque tenha tempo de passar pelos seis testes propostos por Blair.

“Acho importante nos mantermos firmes”, declarou Blair. “O que está em jogo aqui não é se os Estados Unidos irão sozinhos (à guerra), mas se a comunidade internacional apóia instruções claras (ao Iraque), com a ação necessária”.

“Acho que existe uma ameaça real a este país”, advertiu o premier. “E se não lidarmos com ele (Saddam), nosso país e nosso mundo se tornarão um lugar menos seguro”.