Blair não acredita que nova resolução seja aprovada na ONU

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Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 11:26, por: cdb

O líder da oposição britânica, Iain Duncan Smith, saiu de uma reunião nesta quinta-feira com o primeiro-ministro Tony Blair dizendo que o governo considera improvável a aprovação de uma nova resolução na Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Iraque, o que torna a guerra mais iminente do que nunca.

“O primeiro-ministro me disse nesta quinta-feira que a segunda resolução é agora menos provável do que em qualquer outro momento anterior”, disse o líder do partido conservador. Ele também ouviu de Blair que os franceses “se tornaram completamente intransigentes” na sua ameaça de vetar a resolução, que dá um ultimato para que o Iraque entregue suas supostas armas de destruição em massa.

Por essa razão, disse Blair a Duncan Smith, está difícil convencer os países ainda indecisos no Conselho de Segurança. “Enquanto houver essa ameaça absoluta de veto, os países não-alinhados estão dizendo: “Por que deveríamos colocar a cabeça para fora?”, disse Duncan Smith.

O chanceler Jack Straw, que acompanhou a reunião, afirmou que as negociações devem continuar ao longo do fim de semana.

Para costurar um acordo, os britânicos propuseram que o Iraque adote seis medidas que demonstrem sua intenção de se desarmar. Mas a França reagiu nesta quinta-feira dizendo que tais medidas não tocam na questão crucial, que é a resolução pacífica da crise. O governo francês reclamou da “lógica dos ultimatos” por trás dessa proposta.

“Não é questão de dar ao Iraque mais alguns dias antes de se chegar ao uso da força. É preciso progresso em direção ao desarmamento pacífico, como o mapeado pelas inspeções (de armas da ONU), que oferecem uma alternativa para a guerra”, disse o ministro das Relações Exteriores francês, Dominique de Villepin.

Mas Straw disse que “todo o mundo pode ver que (as exigências ao Iraque) são razoáveis e possíveis de serem cumpridas por Saddam (Hussein, o líder iraquiano), e se ele não as cumprir o que está dizendo é que após 12 anos (da Guerra do Golfo) ele não está disposto a seguir o caminho pacífico do desarmamento”.

Duncan Smith previu que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha não vão insistir em levar a proposta a votação se perceberem que serão derrotados.

Washington e Londres tentam angariar pelo menos os nove votos necessários para aprovar o texto no Conselho de Segurança. Esse resultado seria apresentado como uma vitória moral em favor da guerra, mesmo que França, Rússia ou China decidam vetar a resolução.