Blair e Bush divergem sobre futuro do Iraque pós-guerra

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 26 de março de 2003 as 22:39, por: cdb

Bush e Blair se dão muito bem, desde o seu primeiro encontro em Camp David, no inicio de 2001. Desde então, vem sendo selado um “acordo” entre os dois países. Superando suas diferenças de personalidade, há um certo compromisso de apoio entre os dois e isso explica porque a Inglaterra esta nessa guerra. Agora conversam novamente no mesmo local. Uma conversa que acontece no meio do ponto mais crítico para os dois comandantes em seus mandatos. Há algumas diferenças nos tratamentos dados ao mesmo problema.

A preocupação com o que será do Iraque, quando, segundo pretendem, tirarem Saddam do poder, parece ser maior do lado britânico. O futuro de Blair depende não só do desempenho na guerra, mas também de em quanto tempo a paz virá e como ela virá.

A imprensa britânica parou de atacar o governo, desde que começaram a haver baixas, mas a cobrança sobre quando isso tudo vai terminar e grande.

Questões de conflitos entre Blair e Bush

Algumas questões principais ainda não foram exatamente bem esclarecidas. O papel das Nações Unidas no pós-guerra ainda está sendo discutido. Para George W. Bush, seu papel deve ser apenas para ajuda humanitária, excluindo o órgão de responsabilidade na reconstrução do Iraque. Os Estados Unidos já até criaram um escritório especifico para isso e esperam liderar também essa tarefa. Tony Blair, por outro lado, prefere que a reconstrução do Iraque seja feita via uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Concessões de Empresas

A concessão de contratos financeiros entre empresas para participar da fase inicial de reconstrução também já fez faíscas entre os dois países. Uma questão que já provocou tensões entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos é a concessão de contratos à empresas americanas para participar na fase inicial da reconstrução. A Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos está coordenando esse processo.

Empresas britânicas e norte-americanas estão travando uma verdadeira batalha pelos contratos. Contudo, como isso está sendo chefiado por uma agência norte-americana, os empreiteiros americanos fecham seus contratos para serem pagos em dólar. Algumas companhias britânicas queixam-se de perdas relativas a contratos na região do Oriente Médio.

O resto da Comunidade Européia cobra uma decisão mais enérgica sobre o conflito por parte da ONU. Alguns jornais franceses davam na quarta-feira, que a ONU nunca mais será a mesma se não reagir fortemente à desautorização de sua ação por parte dos EUA. Segundo o Le Monde, “se aceitar essa situação sem qualquer tipo de condenação e ainda manter a mesma estrutura atual, a ONU caminha para seu esvaziamento definitivo. Será uma “morta-viva”.