Bispo católico da China promete servir ao comunismo

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Publicado quinta-feira, 4 de maio de 2006 as 09:24, por: cdb

O bispo chinês Liu Xinhong, designado por Pequim sem a aprovação do Vaticano, prometeu em sua primeira missa como prelado “respeitar as leis estaduais, defender a união nacional e a harmonia social”, lemas freqüentes do regime comunista, informou nesta quinta-feira a edição do jornal South China Morning Post. Na cerimônia realizada na quarta-feira, que contou com a presença de mil pessoas, Liu admitiu ter se sentido “intranqüilo” nos dias anteriores a sua nomeação, que despertou o temor a que o Vaticano e Pequim bloqueiem o diálogo voltado para restabelecer suas relações diplomáticas.

Liu, novo bispo de Wuhu (província de Anhui) é o segundo prelado designado esta semana pela Igreja Patriótica católica, dependente do Partido Comunista da China e que não reconhece a autoridade do papa. No domingo pasado, outro sacerdote, Ma Yinglin, foi ordenado bispo de Kunming (sul da China) pela mesma instituição. O Vaticano respondeu com dureza à nomeação de destes dois bispos, considerando o ato uma “grave violação da liberdade religiosa” e um novo obstáculo ao diálogo entre a Igreja Católica Apostólica Romana e as autoridades de Pequim.

Apesar da tensão criada pela nomeação de Liu, outro bispo “oficial”, Anthony Li Duan (da diocese de Xian), cuja ordenação foi aceita pelo Vaticano, assegurou que é otimista e espera que a Santa Sé e Pequim restaurem as relações em três ou cinco anos. Li, que está muito doente, afirmou ao South China Morning Post que esse restabelecimento de laços é um desejo de todos os católicos chineses, atualmente divididos entre os mais de 4 milhões que são membros da Igreja “oficial” e os mais de 12 milhões da “clandestina”, fiéis a Roma.

A China e a Santa Sé romperam relações diplomáticas em 1951, depois que o Vaticano excomungou três bispos nomeados unilateralmente pelo regime comunista. Pequim estabeleceu duas condições para o restabelecimento de vínculos diplomáticos com o Vaticano: que rompa suas relações diplomáticas com Taiwan e não interfira nos assuntos religiosos nacionais, incluindo a nomeação de bispos.