Bin Laden quer a guerra mundial do Islã contra o Ocidente

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Publicado quinta-feira, 20 de setembro de 2001 as 11:43, por: cdb

Tenho visto muita gente dizer “bombardeiem o Afeganistão até que este país volte aos tempos das cavernas”. Ron Owens, do programa de radio KGO, falou que isto significaria matar pessoas inocentes que nada têm a ver com estas atrocidades, mas “como guerra é guerra”, deveríamos ter que aceitar danos colaterais. “O que mais poderíamos fazer?” Minutos depois vi um comentarista de TV dizendo que nós “temos peito para fazer o que deve ser feito”.

E assim tenho pensado seriamente nas questões levantadas, especialmente porque eu sou do Afeganistão, e apesar de viver aqui na América por mais de 35 anos, nunca perdi contato com o que acontece por lá. Então sinto necessidade em dizer a todos que queiram ouvir, como a situação se apresenta sob meu ponto de vista.

Falo como alguém que odeia profundamente o Taliban e Osama bin Laden. Meu ódio vem da minha própria experiência em primeira mão. Não há dúvida em minha mente de que estas pessoas são os responsáveis pela atrocidade em Nova Iorque. Eu concordo que algo deve ser feito em relação a estes monstros.

Mas o Talibã e Bin Laden não são afegãos. Eles não são nem mesmo o governo do Afeganistão. O Talibã é um culto de psicóticos ignorantes que assumiu o poder do Afeganistão em 1997. Bin Laden é um criminoso político com um plano. Quando você pensar em Talibã, pense em nazistas. Quando você pensar em bin Laden, pense em Hitler. E quando
você pensar em “Povo do Afeganistão”, pense nos “judeus em campos de concentração”.

O povo do Afeganistão não somente não têm nada a ver com esta atrocidade, como foram eles próprios as primeiras vítimas dos responsáveis por este ato terrorista. Os afegãos exultariam se alguém pudesse entrar lá, expulsar o Talibã e varrer o ninho de ratos que se alojou em seu país. Alguns poderiam dizer, “então por que os
afegãos não se revoltam e destituem o Talibã?” A resposta é porque eles estão famintos, exaustos, incapacitados e sofrendo.

Há alguns anos, as Nações Unidas estimaram que haviam 500 mil órfãos e aleijados no Afeganistão – um país com nenhuma economia ou mesmo comida. Existem lá milhões de viúvas e o Talibã as têm enterrado vivas, em covas coletivas. O solo está infestado de minas, as fazendas todas destruídas por anos de guerra com os soviéticos. Estas são algumas das razões pelas quais o povo do Afeganistão não destituiu o Talibã.

Agora nós voltamos à questão “bombardear o Afeganistão de volta aos tempos das cavernas”. O problema é que isto já foi feito. Os soviéticos já cuidaram do assunto. Fazer os afegãos sofrer? Eles já estão sofrendo. Nivelar suas casas? Feito. Transformar suas escolas em pilhas de escombros? Feito. Erradicar seus hospitais? Feito. Destruir sua infraestrutura? Feito. Isolá-los dos suprimentos de medicamentos e cuidados de saúde? Tarde demais, pois alguém já fez
todo o serviço.

Novas bombas só iriam espalhar os escombros deixados por bombardeios anteriores. Será que um ataque conseguiria pelo menos atingir o Talibã? Talvez não. No Afeganistão de hoje, apenas os membros do Talibã comem, somente eles têm recursos para se locomover. Eles iriam arrumar um jeito de fugir e se esconder. Talvez as bombas iriam atingir alguns dos órfãos, já que tantos deles estão aleijados – por minas – e não têm como se locomover. Um vôo de jatos despejando bombas sobre Kabul não seria um golpe contra os criminosos que fizeram este ato hediondo. Na verdade isto só faria sentido para o próprio Talibã – por atingir mais uma vez o povo que eles já vêm aniquilando há tanto tempo.

Então, o que mais existe lá? O que poderia ser feito, então? Deixe-me agora falar do meu verdadeiro temor. A única maneira de pegar bin Laden é entrar lá com tropas de solo. Quando as pessoas falam em “ter peito para fazer o que deve ser feito”, eles falam em termos de “ter peito para matar tantos quanto forem necessários”. Ter peito para passar por cima de quaisquer conceitos éticos sobre matar pessoas inocentes. Vamos colocar nossas cabeças para fora d