Beth Carvalho reúne em CD e DVD nata do samba

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 11 de janeiro de 2005 as 15:37, por: cdb

Com o projeto “Beth Carvalho, a Madrinha do Samba – Ao Vivo Convida”, a cantora Beth Carvalho conseguiu um feito: reunir grande parte da nata do samba no palco e na platéia do Canecão, no Rio de Janeiro, em outubro do ano passado. Os grandes nomes estavam lá: de Dona Ivone Lara, Nelson Sargento e Velha Guarda da Portela à nova darling Teresa Cristina e Hamilton de Holanda, passando por Sombrinha, Almir Guineto, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, entre outros.

Mais lançamento com a marca Multishow ao Vivo, em parceria com a Indie Records, o projeto não só originou CD e DVD o primeiro de sua carreira (e que já recebeu disco de ouro e de platina, respectivamente), como confirmou que seu lado madrinha é forte. Ao longo de quase 40 anos de carreira, Beth sempre mostrou olho clínico para identificar novos talentos, como aconteceu com o grupo Fundo de Quintal e Zeca Pagodinho. A Zeca, o afilhado querido, ela dedica seu CD ao vivo, “por ser ele um poeta da vida, um ser humano lindo, o anjo da guarda do samba”, escreveu no encarte e reforça os elogios nos extras do DVD.

Numa espécie de tributo à própria carreira, a cantora, produtora do projeto, quis selecionar o que realmente foi sucesso. O que não é pouca coisa. Por isso, conta ela, teve de apelar para a ajuda de amigos. De 28 discos e 407 canções, escolheu as 85 músicas mais representativas e enviou-as para uma eleição entre seus amigos. Eles votaram em suas preferidas e mandaram de volta. “E é isso mais ou mesmo que está no disco.”

Beth Carvalho abre a apresentação com Andança (de Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi), canção importante – foi seu primeiro sucesso, o começo de tudo. Em outro momento-solo, presta uma bela homenagem a Cartola, no pot-pourri O Mundo É um Moinho e As Rosas não Falam. “Com meus convidados, escolhi cantar músicas que foram sucesso com eles”, explica. Para a cadenciada Corda no Pescoço (de Almir Guineto e Adalto Magalha), trouxe o próprio Guineto. No pot-pourri partido-alto de Malandro Sou Eu (Arlindo Cruz, Sombrinha e Franco) e Sonhando Eu Sou Feliz (Arlindo Cruz, Marquinhos PQD e Franco), faz duo com Arlindo Cruz.

Ao lado de Zeca Pagodinho, ela canta Ainda É Tempo pra Ser Feliz (Sombra, Sombrinha e Arlindo Cruz) e o pot-pourri de Camarão Que Dorme a Onda Leva (de Beto Sem Braço, Zeca e Arlindo Cruz), São José de Madureira (de Beto sem Braço e Zeca) e Dor de Amor (Arlindo Cruz, Zeca e Acyr Marques).

Acompanhada da bateria da Mangueira, sua amada escola de samba, leva Samba de Arerê, de Xande Pilares, Arlindo Cruz e Mauro Jr., e A Mangueira Mora em Mim, de Guineto, Fred Camacho e Arlindo Cruz. Chamou Nelson Sargento em Agoniza mas não Morre, na qual a cantora aparece tocando surdo, algo poucas vezes visto: apenas num show que ela fez no teatro em Madureira, em 1979, e nos pagodes da vida. “Antes do convite da Indie Records, eu já havia pensado nesse projeto”, conta ela. “Depois que fiz uma participação no DVD do Jorge Aragão e o público não deixava eu sair do palco, o Liber Gadelha, da Indie, me ligou e me convidou para fazer esse trabalho.”

No Ao Vivo Convida, Beth Carvalho assume o papel da madrinha, da grande matriarca, ladeada por seus afilhados famosos e parceiros de samba. Beth não renega o posto, mas preferia não ter essa função. Gostaria que os talentos tivessem outros tipos de incentivo e oportunidades para se expor. “Não é meu papel, mas sou assim, gosto de mostrar o que há de bom.” Mas não adianta, ser madrinha já está no seu sangue. Da leva jovem de sambistas, fala com entusiasmo de Teresa Cristina e do grupo Quinteto em Branco e Preto.

E para este primeiro DVD da carreira, Beth Carvalho queria um registro histórico. Além da gravação do show na íntegra (e, conseqüentemente, com mais músicas que o CD), contém cenas interessantes de bastidores e entrevistas com os sambistas que fazem parte do universo de Beth. A partir de março, ela já deve cair na estrada com o novo projeto, iniciando o ro