Berlusconi fala demais e causa mal-estar no Oriente e nos EUA

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Publicado quarta-feira, 26 de setembro de 2001 as 16:13, por: cdb

“A civilização ocidental é superior ao mundo islâmico”, disse o primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi, nesta quarta-feira, no encontro com o chefe de governo Alemão, Gerhard Schröder. O pronunciamento foi considerado uma gafe sem precedentes, segundo analistas internacionais, e levou extremo mal estar às negociações dos EUA junto ao mundo muçulmano.

Tal superioridade consistiria no sistema de valores do Ocidente, que garante grande bem-estar social, respeito aos direitos humanos e liberdade de religião, disse o premiê conservador e magnata da mídia italiana. “Esse respeito não existe nos países muçulmanos”, acrescentou Berlusconi num encontro com jornalistas italianos na capital alemã.

Enquanto Berlusconi prega uma pretensa superioridade dos ocidentais, uma comissão de alto nível da União Européia está percorrendo seis países islâmicos no Oriente Médio e na Ásia em busca de apoio à coalizão internacional para as iminentes represálias militares dos Estados Unidos aos atentados em Nova Iorque e Washington com cerca de 6 mil mortos. O chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, e o homem mais rico e governante da Itália confirmaram sua solidariedade incondicional aos EUA na luta contra o terrorismo.

Depois do encontro com o hóspede italiano, Schröder disse que tinham concordado que a coalizão internacional desejada tem de ter o maior número possível de Estados islâmicos. A meta da aliança é, segundo o político socia-democrata alemão, melhorar o contexto político, sobretudo no Oriente Médio, e para isso é indispensável um avanço no processo de paz na região. Por isso, Schröder e Berlusconi saudaram o encontro hoje entre o presidente palestino Yassir Arafat e o ministro do Exterior de Israel, Shimon Peres.

O mundo inteiro tem interesse que o processo de paz ganhe nova dinâmica com urgência, destacou Schröder, porque um acordo de paz eliminaria a pretensa legitimação do terrorismo”. Berlusconi acrescentou que concordou com o seu anfitrião sobre a necessidade de maiores esforços econômicos que possam gerar perspectivas para os jovens palestinos.

Berlusconi não espera que os atentados nos EUA prejudiquem gravemente o desenvolvimento econômico. Ele e Schröder concordaram que não deverá haver uma recessão. O chefe de governo alemão ressalvou, porém, que ainda é cedo para fazer um balanço das conseqüências econômicas do ataque terrorista à superpotência mundial.