Belém passa o Natal isolada por muro

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Publicado quarta-feira, 21 de dezembro de 2005 as 12:14, por: cdb

Os peregrinos que percorrerem o histórico caminho ligando Jerusalém a Belém neste Natal vão se deparar com um beco sem saída, um muro de concreto e um portão de metal controlados pelas Forças Armadas de Israel. A poeirenta estrada que leva ao local de nascimento de Jesus serve de porta de entrada para Belém desde os tempos bíblicos e teria sido percorrida por José e Maria. Mas, hoje, ela leva para o que o prefeito da cidade chamou de “a maior prisão do mundo”.  Na entrada da cidade, há um novo ponto de passagem controlado pelos militares israelenses e dotado de equipamentos de alta tecnologia. Ali, os visitantes precisam atravessar máquinas de raios X e ver seus passaportes serem escaneados antes de ingressar em Belém, do outro lado do muro de oito metros de altura.

– Se José e Maria estivessem aqui hoje, eles teriam passado pelo posto de controle como todo mundo –  afirmou a irmã Erica, uma freira que atravessava o local.

Belém celebra seu primeiro Natal depois de ter sido completamente isolada de Jerusalém, a cidade adjacente, pela barreira erguida por Israel e condenada pela comunidade internacional.  A obra, segundo o Estado judaico, serve para evitar que homens-bomba palestinos entrem em seu território. O turismo em Belém melhorou um pouco neste ano depois de a economia da cidade ter mergulhado em uma profunda depressão cinco anos atrás, quando se iniciou o levante palestino em nome da independência, transformando a cidade em um campo de batalha. Mas o ambiente é de amargura entre os moradores.

– Agora está claro que isso (o muro) não vai sair daí. Isso parece algo definitivo – afirmou Mary O’Regan, uma ativista irlandesa que ajuda os palestinos. Defendendo a barreira, Israel diz que ela conseguiu deter 90 por cento dos atentados suicidas desde que começou a ser construída, três anos atrás, depois de mais de 180 pessoas terem sido mortas em ataques do tipo só em Jerusalém. Para os palestinos, a barreira representa a fixação unilateral de uma linha de fronteira da qual discordam.

– Exigimos que os israelenses dêem liberdade a Belém. Se eles não fizerem isso, não teremos paz neste Natal – disse o prefeito da cidade, Victor Batarseh.