Beira-Mar pára em Alagoas antes de seguir para o Piauí

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 27 de março de 2003 as 21:31, por: cdb

O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi transferido nesta quinta-feira da Penitenciária de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, para Maceió, capital do Estado de Alagoas. A presença do marginal será tolerada no Estado, segundo informação do governo local, durante “apenas 30 ou 40 dias”.

Um forte esquema de segurança envolveu a viagem de Beira-Mar. Durante toda a manhã, a Polícia Federal esquivou-se de revelar para onde estava levando aquele que é considerado o traficante mais perigoso do país.

Dezenas de agentes penitenciários e policiais participaram da operação, primeiro conduzindo o traficante para a cidade vizinha de Presidente Prudente, onde foi embarcado em uma aeronave.

Somente no início da tarde, o secretário de Justiça de Alagoas, coronel Ronaldo Santos, revelou que Beira-Mar deveria chegar ao estado no final da tarde e ficaria preso na superintendência da Polícia Federal. Foi preciso a intervenção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para que o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, aceitasse a custódia do prisioneiro.

Havia especulações de que Beira-Mar permaneceria temporariamente em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, até poder ser transferido para Teresina, no Piauí, onde uma cadeia estadual será reformada e transformada no primeiro presídio federal do país.

O coronel Santos esclareceu, porém, que o traficante ficará em Maceió até seguir para Teresina, dentro de 40 dias, segundo as estimativas iniciais.

A transferência ocorreu quase um mês depois da chegada de Beira-Mar a Presidente Bernardes, procedente do Complexo de Bangu, no Rio de Janeiro, como parte de um acordo entre os governos federal e paulista para ajudar a resolver o problema imediato de um surto de violência no Rio de Janeiro.

No próximo sábado, Beira-Mar completaria 30 dias de estada em Presidente Bernardes, estabelecidos no acordo.

O governo paulista havia concordado em vigiar o traficante em uma penitenciária do estado como forma de colaborar com os esforços do Rio de Janeiro para controlar a violência atribuída a Beira-Mar, que, de Bangu, estaria ainda comandando o crime organizado.

Beira-Mar foi transferido para o interior de São Paulo após ter ordenado, às vésperas do Carnaval, uma onda de ataques criminosos em vários bairros do Rio de Janeiro.