Beijo como prova de amizade

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Publicado terça-feira, 1 de julho de 2003 as 22:29, por: cdb

Há dois meses, fotos de mulheres famosas se beijando causaram frisson na web. Letícia Spiller e a atriz portuguesa Maria João Bastos deram beijos na boca na festa de despedida de Maria, no dia sete de abril, antes de embarcar para Portugal, em um restaurante da Barra da Tijuca.

As atrizes dizem ser apenas grandes amigas. A assessoria de imprensa de Letícia não soube falar sobre o assunto. Não faltaram insinuações em sites de fofocas.

Enquanto que na festa de Maria João os beijos foram apenas prova de amizade, na Parada do Orgulho Gay 2003 do Rio de Janeiro, que reuniu 150.000 pessoas no domingo, eles representaram algo mais.

Voltada para o público GLBTS (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Simpatizantes), a passeata teve como tema Careta para o preconceito. A bibliotecária Simone de Souza foi à parada, e ficou impressionada com a educação e alegria dos participantes.

– Andei tudo e não vi nenhuma confusão. Percebi que as pessoas estavam felizes e quando se está feliz não há problemas – disse.

Há duas décadas, a homossexualidade era considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). De lá para cá, muita coisa mudou, mas a discriminação ainda é um problema. Simone se orgulha de nunca ter sofrido preconceito, nem de amigos, nem da família.

– Todo mundo sabe que eu vivo com outra mulher e todos me respeitam. A minha avó adora ela – comentou.

Na novela Mulheres apaixonadas, o escritor Manuel Carlos conta a história de um casal de adolescentes lésbicas. A relação é igual a de um casal de namorados heterossexual. No entanto, não aparecem cenas de beijos, apenas abraços.

– Manuel Carlos está colocando as coisas da maneira mais delicada possível, e mesmo assim, surgem críticas, porque a cultura do público da novela não absorveu ainda a homossexualidade – comentou a bibliotecária.

Segundo Simone, o problema da sociedade é aceitar que os homossexuais são pessoas normais. Para ela, ninguém fala da Lacraia (dançarina do MC Serginho) porque a sociedade já aceitou o estereótipo da bicha.

De acordo com Simone, nada mais normal do que uma relação entre pessoas do mesmo gênero.

– Quando eu tinha 15 anos, minha mãe descobriu uma carta de amor que fiz para a professora da escola. Quando ela ameaçou brigar comigo eu falei: ‘Não estou fazendo nada errado’. O que eu estava sentindo era tão bonito, eu não tinha do que me envergonhar – desabafou Simone.