Beija-flor exalta a África e ganha o carnaval pela 10ª vez

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Publicado quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007 as 17:26, por: cdb

Com uma homenagem à África, a Beija-Flor conquistou o título do carnaval carioca, o décimo de sua história, retomando a hegemonia que havia perdido para a Unidos de Vila Isabel em 2006, quando terminou na 5ª colocação após vencer por três anos consecutivos (de 2003 a 2005).

Com o samba-enredo “Áfricas: do berço real à corte brasiliana”, da comissão de carnaval formada por Alexandre Louzada, Fran-Sérgio, Laíla, Shangai e Ubiratan Silva, foi a última a se apresentar na segunda-feira de carnaval. Antes dela, Porto da Pedra e Salgueiro já haviam usado a África como referência para o samba, mas foi o enfoque dado pela escola de Nilópolis que se destacou.

Escola de Nilópolis vence com diferença de 1,4 pontos. A Beija-flor somou 399,3 pontos na apuração. Pelo segundo ano consecutivo, a Grande Rio terminou na vice-liderança, com 397,9 pontos.

Mangueira ficou em terceiro (397,4 pontos), Unidos da Tijuca em quarto (397,3), Viradouro em quinto (397,3) e Vila Isabel (396,6) em sexto e irão completar o desfile das campeãs, no sábado. Estácio de Sá e Império Serrano foram rebaixadas para o grupo de acesso A.

A vitória da Beija-Flor foi comemorada por cerca de 4 mil pessoas na quadra da agremiação, em Nilópolis, ao som do samba-enredo “África – Do berço real à corte brasiliana”, executado pela bateria e intérpretes da agremiação.

Na Sapucaí

O desfile campeão da Beija-Flor na Marquês de Sapucaí chamou a atenção por suas alegorias enormes e cheias de detalhes e fantasias repletas de plumas e adereços luxuosos.

O beija-flor, símbolo da agremiação, voltou ao desfile da escola depois de 10 anos. No carro abre-alas, o pássaro foi representado com 10 metros de envergadura e fazia movimentos de pescoço para poder beijar a flor à sua frente, promovendo a vida na savana afriacana.

A figura de Olorum, rei do infinito, acompanhou o beija-flor. A cor predominante do carro foi o marrom, simbolizando o surgimento do homem a partir do barro.

A comissão de frente retratou a riqueza das dinastias africanas e a soberania de rainhas e reis africanos que foram escravizados no Brasil veio representada nas fantasias do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selmynha Sorriso.

As tradicionais baianas estavam majestosas. As 110 intregrantes da alas vestiram uma fantasia luxuosa confeccionada em tecido que imita pele de zebra e leão e levaram na cabeça uma coroa de marfim.

Personagens como Chico Rei e Zumbi dos Palmares, símbolos da força do povo negro, vieram representados nos carros alegóricos.

Zumbi teve um carro todo feito em bambu em que 70 componentes fizeram uma coreografia teatralizada. Já Chico Rei, veio em uma alegoria predominantemente dourada, cheia de anjos e chafarizes.
 
A apuração

A Mangueira liderou sozinha e com aproveitamento de 100% no quesito Comissão de Frente. No julgamento de Harmonia, quando recebeu uma nota 9.9 do jurado Nilton Rodrigues, permitindo que Viradouro e Beija-Flor, que estavam um décimo atrás da verde e rosa, empatassem a disputa. No mesmo quesito, o Salgueiro recebeu uma nota 9.5 de Alessandra Levy, e despencou na tabela. José Roberto Brandão deu 9.5 para Mangueira e Viradouro, 9.8 para Beija-Flor e 9.4 para Salgueiro. Ao final da apuração do quesito, Mangueira, Viradouro e Grande Rio estavam empatadas em segundo, atrás da Beija-Flor, e o Salgueiro aparecia em sexto. Depois disso, a Beija-Flor manteve uma vantagem inabalável até o final da apuração.

No quesito samba-enredo, a Beija-Flor manteve a liderança com quatro notas máximas. Viradouro e Mangueira tiveram desempenho idêntico, mantendo-se três décimos atrás da azul e branco de Nilópolis. O julgamento dos desempenhos de mestres-sala e porta-bandeiras, porém, aumentou a vantagem da Beija-Flor, que obteve quatro 10, enquanto a Mangueira perdeu um total de três décimos e a Viradouro, sete décimos.

O quadro