BC vê estouro da meta de inflação e PIB menor em 2003

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Publicado segunda-feira, 31 de março de 2003 as 17:54, por: cdb

O Banco Central elevou sua projeção de inflação em 2003 para 10,8%, patamar superior à meta de 8,5% perseguida pela autoridade monetária este ano, de acordo com o primeiro relatório trimestral de inflação divulgado pelo banco no governo Lula.

Apesar da nova estimativa para a inflação, que também é superior à projeção anterior de 9,5% para o ano prevista no relatório de dezembro, o BC reafirmou que considera “prematuro” promover novos ajustes na meta de inflação.

“Não queremos ficar fazendo ajustes sistemáticos. Vamos continuar observando…(Uma decisão sobre mudanças na meta) vai depender de nossa avaliação subjetiva”, disse a jornalistas o diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, nesta segunda-feira.

Ele frisou que a economia vive um momento de incertezas devido à guerra no Iraque, à volatilidade do preço do petróleo e a dúvidas em relação aos reajustes dos preços administrados.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, reiterou em São Paulo, durante seminário sobre a política econômica do governo Lula, que a meta perseguida continua sendo 8,5% para 2003, e que o instrumento para alcançar a meta é a política monetária.

Na última reunião em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) do banco manteve a taxa básica de juros em 26,5%, após cinco meses seguidos de elevações, mas adotou um viés de alta, alertando para os riscos consideráveis à trajetória da inflação.

Meirelles disse que a crise vivida pelo país no ano passado foi muito grave, com forte desvalorização cambial e aumento do risco país, e por isso o BC teve que agir fortemente, para tentar conter a “inércia” inflacionária.

“Os preços não relacionados diretamente com o câmbio estão subindo. O choque de oferta funcionaram como um gatilho da inflação”, disse o presidente do BC.

ADMINISTRADOS SURPREENDEM

Segundo Goldfajn, a elevação da projeção para a inflação foi necessária por causa do comportamento dos preços administrados no primeiro trimestre do ano.

Em dezembro, o BC previa que essa alta ficaria em 2,3%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O que se verificou na prática, no entanto, foi uma alta de 7,5%, sob o impacto principalmente dos reajustes nos preços do álcool e da gasolina.

Goldfajn reconheceu que essa elevação torna a meta ajustada de 8,5%para 2003 “mais difícil” de ser alcançada. Ele frisou, no entanto, que as projeções do BC continuam a indicar que a trajetória da inflação voltará para os patamares da meta em 2004, principal compromisso do presidente do banco.

Para o ano que vem, as projeções do BC para a inflação foram até reduzidas levemente, de 4,5% para 4,1%, como consequência do impacto estimado das altas nas taxas de juros promovidas desde dezembro, quando a Selic estava em 25% ao ano, sobre os preços livres.

A nova projeção de inflação em 2003 continua aquém da esperada pelo mercado. A mais recente sondagem do Banco Central junto a cerca de 100 instituições financeiras e consultorias mostrou que o mercado aumentou sua projeção para a inflação de 12,19% para 12,26% em 2003, após duas semanas de queda nas expectativas.

As novas estimativas do BC levam em conta uma taxa de juros constante nos níveis atuais de 26,5% e uma taxa de câmbio de 3,40 reais.

Em um cenário alternativo, o BC vê a inflação em 9,5% em 2003 e em 3,8% em 2004, considerando uma taxa de câmbio inferior a 3,40 reais, uma redução das expectativas de inflação para aproximadamente 10% e uma solução mais rápida para o conflito no Iraque.

CRESCIMENTO MENOR

O Banco Central também reduziu sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano de 2,8% para 2,2%, citando os efeitos da alta da taxa de juros e da deterioração da confiança do consumidor sobre a economia.

No ano passado, a economia brasileira cresceu apenas 1,52%, levemente superior à expansão de 1,42% em 2001, afetada pelos juros altos e pela forte desvalorização cambial.

“Mesmo que este ano você não