BC eleva previsão de inflação para 2005, após susto na queda do PIB

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Publicado quinta-feira, 1 de dezembro de 2005 as 12:37, por: cdb

O Banco Central elevou sua projeção de inflação em 2005 para taxa acima da meta ajustada de 5,1% após ser surpreendido com a alta de preços em outubro, informou a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira. O Comitê repetiu que a atividade econômica deve se recuperar nos próximos meses e continuar em expansão, em ritmo condizente com a oferta. Mas a ata da reunião foi elaborada antes da divulgação dos dados sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, que registrou uma queda de 1,2%, superando as piores estimativas do mercado.

Em setembro, o BC previu pela primeira vez no ano que a inflação ficaria abaixo da meta. As atas não detalham as previsões do BC, mas no último Relatório de Inflação, divulgado no final de setembro, a projeção para a alta do IPCA era de 5% em 2005. O cenário da atual projeção do BC leva em conta uma taxa Selic em 19% ao ano e câmbio em R$ 2,20 ao longo do horizonte de projeção.

“Embora a elevação da inflação (no curto prazo) em si fosse amplamente antecipada, a magnitude em que ocorreu superou em muito as expectativas prevalecentes por ocasião da reunião de setembro do Comitê”, disse a ata.

Em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,75%, maior elevação desde abril. Segundo o Copom, a elevação da inflação no curto prazo deveu-se principalmente ao reajuste dos combustíveis e à reversão parcial do comportamento favorável dos preços dos alimentos, pressões que tendem a ser transitórias, sem contaminar horizontes mais longos.

– O Copom sinalizou o desvio em função da inflação corrente, que veio mais alta que o esperado…Não sinaliza um corte menor de juros (em dezembro). Ele continua sinalizando uma flexibilização gradual da política monetária – afirmou o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa.

O Copom reduziu a taxa Selic em 0,5 ponto para 18,50% ao ano em sua reunião de novembro, no terceiro corte consecutivo dos juros.

Ventos favoráveis

Apesar da continuidade da volatilidade nos mercados financeiros internacionais e dos preços do petróleo ainda altos, o BC reafirmou que o cenário externo segue favorável, particularmente em relação às perspectivas de financiamento para a economia brasileira.

“Assim, continua se configurando um cenário benigno para a evolução da inflação.”

O BC acrescentou que, para 2006, a projeção para a inflação sob o cenário de referência segue abaixo do centro da meta de 4,5%, mas foi elevada ante outubro.

“Para 2006…, a inércia da surpresa inflacionária de outubro e o efeito da redução das taxas de juros mais do que compensaram os impactos da apreciação cambial e da menor projeção de reajuste para os preços monitorados e administrados por contrato.”

O BC ressaltou, no entanto, que continuará acompanhando os próximos índices de inflação e seus núcleos e destacou a importância de os indicadores inflacionários seguirem compatíveis com cenário benigno.

“Dessa forma, a flexibilização gradual da política monetária não comprometerá as importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na preservação do crescimento econômico com geração de empregos e aumento de renda real.”

Prognóstico

O Copom elevou seu prognóstico para o reajuste dos preços da gasolina em 2005, de 7,5% em outubro para 7,6%. A projeção para o reajuste de energia elétrica residencial subiu de 7,6% para 7,8%. A de preços administrados por contrato e monitorados foi elevada de 7,8% para 8,2%.

A estimativa para os administrados em 2006, por outro lado, caiu de 5,1% para 4,9%.