Batalha contra a mineração e as hidrelétricas faz a terceira vítima fatal

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Publicado sexta-feira, 23 de março de 2012 as 15:00, por: cdb

O jovem indígena Franklin Javilla, da comunidade de Chichica, foi baleado pela Polícia em 5 de fevereiro durante manifestação em Tolé contra a instalação de hidrelétricas e projetos de mineração na Comarca Ngöbe Buglé. Ele faleceu na noite da última terça-feira (20), no Hospital Ricardo Fábrega, de Santiago de Veraguas, quando passava por uma cirurgia para amputar a perna baleada.

A morte do indígena acontece em meio à aprovação do projeto que regularizará as concessões mineiras e hídricas no país, ocorrida ontem (22). Após 45 dias de muitos embates, o Projeto de Lei 415 modificará o código mineiro, cancelando-os na Comarca Ngöbe Buglé. Por outro lado, os projetos hidrelétricos continuarão sendo executados sem nenhuma proteção aos territórios indígenas, o que desagradou aos indígenas e geraram várias mobilizações.

Franklin foi o terceiro indígena morto em Chiriquí e áreas próximas no marco da luta contra a mineração e as hidrelétricas na Comarca. Os indígenas também denunciam o falecimento de Jerónimo Rodríguez Tugrí e Mauricio Méndez.

Atenção médica era um dos pontos exigidos pelos indígenas Ngöbe Buglé para retomar o diálogo com o Governo. Após conseguir esta demanda, que foi registrada no Pacto de San Lorenzo, Franklin e outros feridos durante as manifestações de fevereiro foram levados para hospitais e receberam atendimento médico.

Para mostrar todo o descontentamento com a morte do jovem e com o desrespeito aos direitos territoriais dos Ngöbe Buglé, um grupo de indígenas decidiu entrar em greve de fome. A decisão também é uma forma de mostrar repúdio à violação dos direitos das mulheres e pedir a defesa dos direitos da juventude. Os indígenas não pretendem deixar a greve de fome até que a vitória de seu povo seja sacramentada e proclamam “morte ou nossa terra livre de mineração e hidrelétrica”.

Ainda ontem (22), Dia Mundial da Água, uma manifestação saiu pelas ruas de Santiago de Veraguas a fim de deixar uma mensagem de defesa dos recursos naturais do Panamá e em especial do rio Santa Maria, onde serão instalados seis projetos hidrelétricos. Também foi uma oportunidade para denunciar as violações aos direitos humanos dos indígenas e dos defensores/as do meio ambiente durante os protestos realizados em fevereiro.

A batalha indígena que segue por quase dois meses reivindica a suspensão da construção da hidrelétrica de Barro Blanco, o cancelamento de outras três mega obras programadas para serem executadas em território indígena, a criação de um Regime Especial para a Proteção dos Recursos Minerais, Hídricos e Ambientais destes povos, a proibição de que no futuro a Comarca Ngöbe Buglé possa sediar empreendimentos mineiros e hidrelétricos e a garantia de consultas livres e prévias quando se cogitar realizar projetos de infraestrutura em territórios Ngöbe Buglé.

Com informações de agências