Bastos fica no cargo, embora ‘abatido, golpeado e ferido’

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Publicado terça-feira, 11 de abril de 2006 as 22:42, por: cdb

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, continua no cargo, garantiu nesta terça-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o colaborador sinta-se magoado com as várias ilações quanto a sua rigidez de caráter, segundo disse Lula a jornalistas, ele se mantém “muito tranquilo e está seguro de que não fez nada de errado. Eu não vou fazer o jogo da oposição”, afirmou o presidente ao participar de recepção oferecida no Itamaraty à presidente chilena, Michelle Bachelet.

– Quem quer derrubá-lo é a oposição – disse.

Bastos confirmou ter comparecido a uma reunião em 23 de março com Antonio Palocci, mas negou ter participado de articulação da defesa do então ministro da Fazenda, indiciado pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Bastos alega ter ido ao encontro apenas para apresentar a Palocci o advogado Antônio Malheiros. Depois de ter seu pedido de prestar esclarecimentos ainda esta semana no Senado recusado pelos líderes da oposição, o ministro da Justiça recebeu nesta tarde isoladamente jornalistas de diversos órgãos.

Nos encontros foram passados detalhes de suas reuniões com Palocci, com Lula e sobre sua postura em relação aos ataques que vem sofrendo da oposição. Nas entrevistas ele garantiu não ter apego ao cargo e afirmou que vai permanecer no Ministério por lealdade ao presidente. Dizendo-se “abatido, golpeado e ferido”, o ministro colocou-se como um escudo de Lula. Ele afirmou ter certeza de que, caso deixe a pasta, os ataques oposicionistas se direcionarão para o presidente da República.

Bastos afirmou também fazer questão de ir ao Congresso para defender sua biografia e sua honra, e garantiu que não ficará à frente do cargo caso o presidente Lula seja reeleito. A apresentação dele no plenário da Câmara dos Deputados foi agendada para a próxima terça-feira, mas sua presença ainda não foi confirmada pela assessoria de imprensa do Ministério.