Barreiras acústicas e eco-limites: A “arquitetura do constrangimento” no Rio

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 15 de maio de 2011 as 14:30, por: cdb

Por Felipe Felix 15/05/2011 às 17:12

Discussão sobre a implantação de barreiras acústicas e eco-limites no Rio de Janeiro.

Quem circula pela Linha Vermelha no Rio de Janeiro, já deve ter observado as emblemáticas barreiras acústicas que contornam uma série de comunidades que integram o Complexo da Maré. Tratam-se de estruturas que , segundo o discurso da prefeitura, servem para “proteger” os moradores destas comunidades do barulho e de acidentes na via.

Sob outra forma, discurso e protagonista – desta vez, o Governo do Estado – estão os eco-limites impostos sobre as comunidades do Santa Marta e Rocinha, projetados para cobrir também outras comunidades do Rio.

Os eco-limites fazem parte do mesmo modelo de política segregacionista na qual se inserem as barreiras acústicas de Eduardo Paes . No discurso de Sérgio Cabral, muito bem alinhado ao projeto de cidade de Paes , os chamados “eco-limites” serviriam ao propósito de proteção de áreas verdes ainda não ocupadas por estas comunidades.

Segundo o site Planeta Sustentável, foram gastos cerca de R$ 40 milhões oriundos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental com os eco-limites. Estes foram propostos pelo Governo do Estado como alternativa para conter o avanço populacional das comunidades selecionadas, porém são contraditórios aos dados divulgados pelo Instituto Pereira Passos referentes ao período de 1998 – 2008 que apontaram para a estabilização ou mesmo decréscimo no número de residentes nessas comunidades.

Tal fato mostra que o discurso de Paes e Cabral em defesa dos eco-limites e das barreiras acústicas esconde , na realidade, um projeto de apronfudamento da segregação sócio-espacial e do cerceamento não apenas simbólico, mas também físico da pobreza no Rio de Janeiro.

Essa é a “arquitetura do constrangimento” , expressão cunhada pela Profª Julieta Nunes do IPPUR/UFRJ. Trata-se da delimitação física entre a cidade legal e a cidade ilegal, entre a cidade que se quer mostrar e a que se quer esconder.

Na política da “Cidade Maravilhosa”, não há espaço para o que não é “belo”aos olhos de Paes e Cabral. Neste cenário, o cerco à pobreza se dá em múltiplas formas e direções, cumprindo , no entanto, o mesmo papel ideológico: a delimitação do território, impondo “limites” para que cada classe social ocupe o lugar que lhe é permitido na cidade.

Email:: felix.ufrrj@gmail.com
URL:: http://blogviramundo.blogspot.com