Banco Santos faz nova proposta a credores para evitar liquidação

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Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 20:26, por: cdb

A Procid, controladora do Banco Santos, concluiu nessa quarta-feira a redação de uma nova proposta de negociação aos credores, que haviam se recusado a aderir à moratória de saques sugerida em dezembro. Pela nova proposta, em vez de uma moratória, a empresa de Edemar Cid Ferreira pede aos credores que manifestem expressamente ao Banco Central, até 21 de fevereiro, a disposição em continuar negociando uma solução de mercado para o banco, o que poderia evitar que o interventor recomende a liquidação da instituição. “A fim de assegurar a manutenção da intervenção é muito importante que os credores financeiros do Banco Santos manifestem expressamente sua intenção em discutir um plano de recuperação da instituição, que lhes será submetido no menor espaço de tempo possível (estima-se que dentro de 30 dias, no máximo), inclusive para dar respaldo ao Banco Central em não decretar a liquidação extrajudicial da instituição”, diz uma versão preliminar da proposta.

A intervenção seria mantida pelo prazo máximo possível de um ano, ou seja, até 11 de novembro. Até lá, o controlador negociaria uma solução com os credores, que pode incluir um desconto nas dívidas, a troca de parte das dívidas por participação e aportes do próprio Edemar para capitalizar a instituição.

O comitê de credores representado pela consultoria KPMG informou que já vinha organizando um documento para formalizar sua disposição em negociar ao BC. “Sempre fomos contrários à liquidação imediata do banco e sempre estivemos dispostos a negociar”, disse o diretor da KPMG que fala em nome dos credores Eduardo Farhat. Ele informou ainda que seu comitê fechou um acordo com a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) para negociar com a Procid. Juntos, ambos os grupos teriam cerca de R$ 1,3 bilhão a receber.

Dada a falta de informações sobre a situação financeira do banco desde que foi decretada a intervenção, é difícil para os credores manifestarem algo mais do que a vontade de negociar, disse Farhat. Mesmo assim, ele prevê que um aporte de capital seja “uma condição essencial para o fechamento de qualquer acordo”.

Na nova proposta, Edemar “reitera sua disposição em abrir mão do controle e de envidar todos os esforços, inclusive de natureza patrimonial, para o sucesso de um acordo.”