Banco Internacional de Compensações diz que o Brasil teve “melhora dramática”

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Publicado segunda-feira, 10 de março de 2003 as 11:11, por: cdb

O Banco Internacional de Compensações (BIS), em seu relatório trimestral, disse que o Brasil obteve uma “melhora dramática no sentimento do investidor” após a eleição presidencial do final do ano passado. Segundo o banco central dos bancos centrais, esse quadro mais positivo foi estimulado pelo comprometimento do novo governo com a continuidade de reformas econômicas e fiscais, além da melhora das condições de crédito no mercado externo.

O BIS observou, que embora os spreads da dívida brasileira tenham permanecido elevados, alguns grupos brasileiros foram capazes de retornar rapidamente aos mercados internacionais após as eleições para refinanciar as suas dívidas.

O BIS informou que no terceiro trimestre do ano passado, quando as incertezas relacionadas à eleição presidencial atingiram o seu pico, o saldo negativo do fluxo de capitais para o Brasil somou US$ 2,4 bilhões, a maior queda registrada desde o terceiro trimestre de 2001.

A redução da exposição de instituições financeiras internacionais no País entre julho e setembro de 2002, em comparação ao mesmo período do ano anterior, foi de 7,3%, com bancos norte-americanos, alemães e espanhóis cortando seus créditos de curto prazo. No final de setembro de 2002, o estoque total de empréstimos de instituições estrangeiras no País somava US$ 91,8 bilhões.

A exposição junto ao setor bancário brasileiro, que havia apresentando uma certa estabilidade durante o primeiro semestre de 2002, caiu 8% no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Na América Latina

Em relação a toda a América Latina, os fluxos de fundo de capitais continuaram negativos no terceiro trimestre de 2002, com uma perda de US$ 2,9 bilhões. A exposição das instituições financeiras estrangeiras na região caiu 4%, passando a somar US$ 269 bilhões, o nível mais baixo desde o terceiro trimestre de 1996.

A Argentina registrou a maior saída de fundos (US$ 4,7 bilhões) desde o início da crise financeira no primeiro semestre de 2001. Os bancos norte-americanos foram aqueles que mais reduziram a sua exposição na Argentina.

O México também registrou uma contração da exposição estrangeira, de US$ 1,9 bilhão. O fluxo de capitais para todos os mercados emergentes foi positivo durante o terceiro trimestre, embora as diferenças entre cada região tenham sido relevantes, salientou o BIS. Houve uma saída de fundos da América Latina, leste europeu, Oriente Médio e África.

Essas perdas, no entanto foram compensadas por um fluxo positivo de US$ 26 bilhões para os países asiáticos. O BIS afirmou que a ameaça de uma guerra no Iraque serviu para frear as notícias positivas sobre a economia global que circularam no final do ano passado.

“A onda de otimismo entre os investidores em novembro e outubro de 2002 tinha ajudado a estimular os mercados acionários e de títulos corporativos, mas a partir de dezembro as incertezas sobre as consequências econômicas de uma possível guerra começaram a ter um maior peso no mercado”, disse o banco.

“Com o fim do seu otimismo, os investidores parecem estar dando pouca importânica às principais notícias econômicas.”