Bancada ruralista segue poderosa no país

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Publicado segunda-feira, 16 de outubro de 2006 as 10:21, por: cdb

Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) concluiu que o poderoso grupo que representa os interesses dos agricultores no Congresso Nacional, a chamada bancada ruralista, continuará forte na legislatura 2007/2011. Segundo a entidade, que é mantida pelos sindicatos de trabalhadores, “a bancada ruralista, uma das mais eficientes do Congresso, diminuiu um pouco numericamente, mas isso não quer dizer que perderá a importância ou capacidade de atuação coesa”. Segundo o mapeamento, 95 deputados e senadores “deverão priorizar, a partir de 2007, as pautas do setor empresarial rural”. Hoje, “o Diap identifica 111 parlamentares como componentes da bancada ruralista”.

Para o Diap, integra a bancada ruralista “aquele parlamentar que, mesmo não sendo proprietário rural ou da área de agronegócios, assume sem constrangimento a defesa dos pleitos da bancada, não apenas em plenários e nas comissões, mas em entrevistas à imprensa e nas manifestações de plenário”.

Os resultados são parciais, já que o Diap ainda não dá como concluídos seus estudos sobre o Congresso eleito no último dia 1º. 

Os eleitos

De acordo com o levantamento, reelegeram-se um senador (Mozarildo Cavalcanti, PTB-RR) e 65 deputados ruralistas. Entre estes, nomes influentes no Parlamento, como o ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira (PMDB-CE); o ex-relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR); o ex-líder do PMDB Geddel Vieira Lima (BA); o atual corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI); o líder do PTB, José Múcio Monteiro (PTB-PE); e Ronaldo Caiado (PFL-GO).

Elegeram-se senadores dois deputados hoje identificados como ruralistas, Eliseu Resende (PFL-MG) e Kátia Abreu (PFL-TO), uma das principais lideranças da bancada. O atual senador Aelton Freitas (PL-MG), que assumiu o mandato na condição do vice-presidente da República, José Alencar, obteve uma cadeira de deputado federal.

Entre os novos parlamentares eleitos, o Diap destaca Homero Pereira (PPS/MT). “Líder do tratoraço de junho de 2005 e do locaute ruralista que fechou rodovias pelo país afora em maio de 2006, Pereira é presidente da Federação Estadual de Agricultura de Mato Grosso”, esclarecem os pesquisadores do Diap.

Lista de acusados

Os 95 integrantes da bancada ruralista pertencem a nove diferentes partidos: PMDB, PFL, PP, PTB, PSDB, PL, PPS, PSB e PCdoB.

Conforme avaliação preliminar feita pelo Congresso em Foco, apenas três deles foram acusados de participação na máfia dos sanguessugas pela CPI que apura o assunto: Wellington Fagundes (PL-MT), Marcondes Gadelha (PSB-PB) e João Magalhães (PMDB-MG). Outros dois, embora inocentados pela comissão do Congresso, são investigados pelo Ministério Público Federal: o ex-ministro da Saúde Saraiva Felipe (PMDB-MG) e Nélio Dias (PP-RN).

Outro caso digno de destaque é o do ex-senador Carlos Bezerra (PMDB). Eleito deputado federal mais votado de Mato Grosso, ele assume a vaga que hoje pertence à mulher, Teté Bezerra (PMDB-MT), também investigada por suspeita de participação no esquema ilegal dos sanguessugas. 

De qualquer maneira, a maioria dos atuais integrantes da bancada ruralista envolvidos de alguma forma no caso da máfia dos sanguessugas não se reelegeu. Pelo menos 15 deputados nessa situação tentaram a reeleição sem sucesso.

Onze parlamentares que continuarão representando os interesses do empresariado rural na próxima legislatura respondem a ações ou inquéritos criminais. O mais notório deles é Vadão Gomes (PP-SE). Denunciado por envolvimento com o mensalão, ele é réu em vários processos, por crimes contra a ordem tributária e o patrimônio público e por estelionato.

Mais sete deputados respondem a processos: Chico da Princesa (PL-PB), crime eleitoral; Ciro Nogueira (PP-PI), crimes contra a ordem tributária e a administração pública; Darcísio Perondi (PMDB-RS), improbidade