Balas ‘dum dum’ mataram Jean Charles, afirma jornal inglês

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Publicado quarta-feira, 16 de novembro de 2005 as 11:18, por: cdb

O diário britânico Daily Telegraph afirma em reportagem de capa nesta quarta-feira que a polícia de Londres utilizou balas “dum dum” nos disparos que mataram o eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes.
O uso deste tipo de munição, conhecida como balas de ponta oca, que se expandem e estilhaçam após penetrar no corpo provocando mutilações maiores,  é proibido por convenção internacional que regulamenta as armas de guerra.

Segundo o jornal, “acredita-se que esta tenha sido a primeira vez que essas balas tenham sido utilizadas pela polícia britânica”.

Jean Charles foi confundido pelos agentes da polícia londrina com um homem-bomba, e morreu ao receber sete tiros na cabeça e um no ombro dentro da estação de metro de Stockwell, no dia 22 de julho.

O episódio é motivo de uma investigação independente sobre a atuação da polícia, que continua em andamento.

O jornal afirma que os policiais que participavam da Operação Kratos receberam este tipo de munição especial porque o comando das forças de segurança acredita que as balas de ponta oca são mais eficazes para abater homens-bomba.

A Operação Kratos foi lançada na Grã-Bretanha para proteger os meios de transporte da ação de militantes suicidas, após os atentados contra três trens do metrô e um ônibus em Londres no dia 7 de julho.

O Daily Telegraph afirma que a opção pelas balas “dum dum” teria sido “influenciada pela táticas usadas por policiais à paisana em aviões de passageiros, que usam essas balas para que se estilhacem dentro do corpo e não arrebentem a fuselagem”.

Seguindo o mesmo raciocínio, as autoridades britânicas teriam optado pela munição de ponta oca para poder matar homens-bomba sem correr o risco de atingir inocentes nas proximidades.

O jornal britânico afirma que a decisão de usar balas “dum dum” foi tomada de forma sigilosa pela polícia, assim como outros aspectos da Operação Kratos.

O Ministério do Interior da Grã-Bretanha disse que não há impedimentos legais ao uso deste tipo de munição pela polícia, cujo comando tem o direito de escolher as balas que melhor servem aos seus objetivos operacionais.