Aznar diz ter falado a verdade sobre atentados

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Publicado terça-feira, 30 de março de 2004 as 10:48, por: cdb

O primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, que termina seu mandato em breve, disse que o governo da Espanha falou a verdade sobre os atentados a bomba que mataram 191 pessoas em Madri.

Em um artigo publicado nesta terça-feira, no qual defendeu as medidas adotadas por seu governo, Aznar rebateu as acusações de que as autoridades acusaram intencional e erroneamente o grupo separatista basco ETA pelos ataques.

O premiê também disse ser cedo demais para retirar os soldados espanhóis do Iraque. José Luis Rodríguez Zapatero, o socialista que substituirá Aznar no cargo, prometeu tirar as tropas do país árabe caso a Organização das Nações Unidas (ONU) não desempenhe um papel mais importante.

“Serei honesto e claro: meu governo falou a verdade”, escreveu Aznar no artigo publicado pelo jornal francês Le Monde. “Assim que outros rumos foram dados às investigações que não o do ETA, o governo informou as pessoas. O governo revelou tudo o que podia revelar sem prejudicar as investigações.”

Segundo o premiê, a oposição manipulou os fatos para ter ganhos políticos. “Estávamos às vésperas das eleições e, para certas pessoas, a tentação de explorar a situação a fim de obter ganhos políticos era grande demais”, afirmou.

O pleito ocorrido três dias depois dos atentados de 11 de março levou Zapatero ao poder e impôs uma derrota inesperada para os conservadores liderados por Aznar.  A reputação do premiê e suas esperanças de voltar ao poder viram-se abaladas pelas acusações de que seu governo errou ao, inicialmente, acusar o ETA de forma categórica.

Os atentados, agora supostamente atribuídos a militantes islâmicos, reacendeu a oposição dos cidadãos à decisão de Aznar de apoiar a guerra no Iraque. Muitas pessoas acham que esse apoio fez com que a Espanha se tornasse alvo dos terroristas.

“ETA ou Al Qaeda. Naturalmente, a diferença é importante, mas a resposta para o que aconteceu tem que ser única: firmeza, unidade política e cooperação internacional”, disse Aznar.
“Este não é o momento de pensar em retirar as tropas”, acrescentou. “Desistir agora criaria um precedente perigoso, dando crédito à idéia de que aqueles que nos atacaram, ditaram suas condições.”