Avenida em Recife é interditada por trabalhadores rurais

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Publicado quarta-feira, 8 de novembro de 2006 as 18:31, por: cdb

Cerca de 1,6 mil trabalhadores rurais que ocupam, há três dias, a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Recife, fizeram nesta quarta-feira um protesto, interditando o trânsito na Avenida Rosa e Silva, em frente ao prédio da instituição. Os trabalhadores, das regiões do Agreste, Sertão e Zona da Mata, são ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Pernambuco (Fetraf),

Segundo o presidente da Fetraf, João Santos, a medida foi tomada porque as negociações iniciadas com a superintendente do Incra, Maria de Oliveira, ficaram travadas, principalmente no que se refere à vistoria de terras improdutivas, concessão de créditos destinados a assistência técnica e também ao programa nacional de educação de jovens e adultos da reforma agrária. Santos disse que falta liberar R$ 300 mil para que o movimento possa dar continuidade ao processo de alfabetização dos assentados.

Na opinião de Santos, o atual modelo de reforma agrária adotado no país precisa ser revisto para atender com maior eficácia as necessidades dos camponeses que aguardam programas de assistência técnica, extensão rural e infra-estrutura. Ele defendeu também a realização de “ações no sentido de melhorar a comercialização da produção agrícola dos assentamentos de reforma agrária, para que os produtores saibam que não terão prejuízos na hora de vender o que colheram”.

Maria de Oliveira, que participou de uma audiência publica sobre questões agrárias no município de Bezerros, interior do estado, informou que pretende se reunir com um grupo de trabalhadores da Fetraf ainda hoje. Ela disse que a atitude dos agricultores de interromper o trânsito na Avenida Rosa e Silva representa uma quebra de acordo, já que o processo de negociação da pauta de reivindicações apresentada está em andamento.

De acordo com a superintendente do Incra, uma das solicitações, a liberação do crédito de infra-estrutura, que tem orçamento previsto de R$ 10 milhões neste ano, já foi encaminhada à presidência da instituição, em Brasília. Maria de Oliveira disse que os outros pleitos estão sendo analisados.