Autoridades indonésias ampliam área para ação humanitária

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Publicado quarta-feira, 31 de maio de 2006 as 10:26, por: cdb

As autoridades indonésias acompanham, em helicópteros, o rastreamento das áreas mais remotas atingidas pelo terremoto do último sábado, enquanto se intensificam as medidas para evitar o surgimento de epidemias.

O campo de futebol de Bantul, que se tornou um centro de distribuição, é a base de helicópteros militares e civis para a distribuição de ajuda humanitária de emergência nas regiões mais isoladas, como Wedi, em Klaten.

– Achamos que a distribuição chegou a todos os lugares – uma primeira ajuda, pelo menos. Mas continuaremos sobrevoando a região nos próximos dias –  disse Heru Nugroho, coordenador de uma das equipes de resgate governamentais.

– Foi uma grande sorte que a maioria das estradas tenha sido pouco afetada.  A distribuição terrestre está cada dia mais organizada – acrescentou Nugroho.

O Governo indonésio subiu, nesta quarta-feira, para 650 mil o número de desabrigados. O número provisório de vítimas fatais está em 5.846.

Muitos dos desabrigados se organizaram em pequenos campos e a chegada de ajuda é cada vez mais evidente. Em Bantul, a maioria das pessoas tem alguma tenda e plásticos para se protegerem da chuva, além de caixas de comida e água potável.

Além disso, a busca incessante entre os escombros das casas traz novas surpresas. A estrela de hoje em um dos campos de Sumberagung é um televisor, danificado mas funcionando, utilizado por mais de 50 moradores.

 – Encontramos a TV esta manhã e foi uma grande surpresa ela estar funcionando – disse Dedi, o orgulhoso proprietário do aparelho.

– Agora, olha meu violão, não consigo afinar. Mas não vou jogar fora, faz parte do mini-museu do horror – explicou o artista de 31 anos.


As equipes de resgate retiraram de helicóptero duas mulheres com fraturas graves de Bantul, que serão operadas no hospital de campanha próximo ao heliporto provisório.

O número de pacientes internados nos hospitais das áreas mais afetadas é muito superior à quantidade de camas disponíveis, e pessoas estão sendo enviadas a centros de Yogyakarta menos saturados.

No entanto, muitos pacientes são atendidos fora do hospital e não nos quartos, devido aos danos na infra-estrutura sanitária dos centros.

No hospital militar Patmasuri, em Bantul, parte do teto e várias paredes caíram por causa da força do terremoto.

As que ficaram de pé estão rachadas e podem cair a qualquer momento. Muitos pacientes e médicos foram transferidos para o lado de fora do edifício.

A demanda de pessoal sanitário foi atendida com a ajuda de milhares de estudantes de Medicina e Enfermaria das universidades de Yogyakarta, e a chegada de doutores de outras cidades indonésias, como Jacarta ou Surabaia.

O grande número de médicos contrasta com a grave falta de medicamentos. Tanto hospitais como postos de crise instalados às margens das estradas principais reclamam da falta de remédios.

Ainda são necessárias equipes de traumatologia para tratar os feridos. Além disso, faltam analgésicos, antibióticos e antidiarréicos para o tratamento de complicações recentes, como diarréias ou pneumonias.

Um dos motivos do surgimento destas doenças foi a falta de água potável e as precárias condições higiênicas.

Entre as medidas sanitárias para reduzir o risco de epidemias, foi espalhada fumaça por muitos espaços abertos onde foram instalados campos de desabrigados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) organizará, em breve, vacinações maciças de sarampo.