Autópsia visa esclarecer a morte de espião russo

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Publicado sexta-feira, 24 de novembro de 2006 as 10:56, por: cdb

O ex-espião russo Alexander Litvinenko será submetido a uma autópsia, nesta sexta-feira, após a sua morte no hospital de Londres, onde estava internado, três semanas depois de ter sido supostamente envenenado. A morte foi anunciada por um porta-voz do University College Hospital, onde Litvinenko, de 43 anos, estava internado na unidade de terapia intensiva. O estado de saúde do ex-espião era crítico desde a noite quarta-feira, quando ele sofreu um ataque cardíaco.

Um boletim médico anterior já havia afirmado que as condições de saúde do espião haviam se deteriorado subitamente. Amigos de Litvinenko afirmam que ele foi envenenado por causa de suas críticas ao presidente russo, Vladimir Putin. O Kremlin e o Serviço de Inteligência Estrangeiro da Rússia negaram qualquer participação no envenenamento de Litvinenko.

‘Morte inexplicada’

A Scotland Yard (a polícia metropolitana de Londres) afirmou que está investigando “uma morte inexplicada”.

– Todas as possibilidades foram exploradas para estabelecer a causa de seu estado, e o assunto agora está sendo tratado por uma investigação conduzida pelos detetives da Scotland Yard. Por isso, nós não vamos mais comentar este assunto – afirmou um porta-voz do hospital, que também prestou solidariedade à família de Litvinenko.

Litvinenko, que era ex-agente de segurança do Serviço Federal de Segurança da Rússia, fugiu para a Grã-Bretanha em 2000, alegando perseguição na Rússia. Ele conseguiu o asilo. Acredita-se que ele tenha conseguido a cidadania britânica em 2006. O ex-espião estava investigando a morte da jornalista russa Anna Politkovskaya, que criticava o governo Putin e a política da Rússia para a Chechênia. Ela foi morta a tiros no prédio onde morava em Moscou, em outubro.

Ataque radioativo

Acredita-se que Litvinenko tenha ficado doente no dia 1º de novembro. Antes da morte de Litvinenko, a polícia afirmou que suspeitava de “envenenamento deliberado”. A polícia está investigando dois encontros mantidos pelo ex-espião: em um hotel londrino com um ex-agente da KGB e outro homem, e em um restaurante japonês de Londres com o consultor de segurança italiano Mario Scaramella.

No dia 17, Litvinenko foi internado no University College Hospital. Informações iniciais davam conta que Litvinenko tinha sido envenenado com o metal altamente tóxico tálio, apesar da opinião dos médicos não ser conclusiva. Posteriormente, surgiu a teoria de que algum material radioativo tivesse sido usado. O chefe da unidade de terapia intensiva do hospital, Geoff Bellingan, descartou ambas explicações.