Austeridade provoca buraco de dois mil milhões de euros

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Publicado terça-feira, 26 de junho de 2012 as 04:45, por: cdb

A derrapagem na cobrança de impostos, mesmo depois do governo ter atirado a carga fiscal para níveis históricos, e a diminuição das receitas e aumento das despesas da Segurança Social estão a abrir um buraco colossal nas contas públicas. O défice vai a caminho dos 5,5% e Passos Coelho admite mais medidas de austeridade para “corrigir” os problemas criados pela austeridade.Artigo |26 Junho, 2012 – 11:41 Foto de José Sena Goulão/Lusa

O desvio na execução do Orçamento de Estado soma quase 2000 milhões de euros. Sem medidas adicionais de austeridade, com as quais Pedro Passos Coelho já ameaça o país, o défice orçamental ficará nos 5,5 por cento, um ponto acima dos 4,5 por cento negociados pelo Governo com Bruxelas.

Depois do Governo ter aumentado o IVA da restauração e retirado dezenas de produtos da lista de produtos de primeira necessidade, as receitas com este importante imposto estão a cair 2000 milhões de euros. Aonde Vítor Gaspar previa um aumento da receita de 11,6 por cento está, na realidade, a assistir-se a uma diminuição de 2,8 por cento.

Mas não é apenas o IVA que está a confirmar os efeitos recessivos da austeridade imposta pelo Governo. O imposto sobre os veículos está a causar um desvio orçamental de 258 milhões de euros e o dos produtos petrolíferos, mesmo com o aumento do preço da gasolina, já ascende a 145 milhões de euros. Resumindo: o Governo aumenta todos os impostos, mas a cobrança fiscal implode.

A diminuição da atividade económica não se reflete, apenas, numa menor cobrança fiscal. A explosão da taxa de desemprego está a colocar em causa as contas da Segurança Social. Só as despesas com o subsídio de desemprego subiram 403 milhões de euros, ao mesmo tempo que a diminuição de pessoas a descontar está a retirar 278 milhões de euros em contribuições para a Segurança Social.

Confrontado com os números que provam o falhanço económico e social da obsessão com a austeridade, Pedro Passos Coelho não só não admite mudar de rumo como se prepara para responder aos problemas causados pela austeridade com mais austeridade.

“Se forem necessárias novas medidas de austeridade, assim o farei”, afirmou, esta segunda-feira no Parlamento, o primeiro-ministro. Por responder ficou a pergunta do líder parlamentar do Bloco. “Garante hoje que não vai aplicar uma sobretaxa nos subsídios de férias e natal no setor privado?”, questionou Luís Fazenda, sem nunca obter resposta de Pedro Passos Coelho.