Aumenta resistência à posição dos EUA sobre o Iraque

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Publicado sábado, 5 de outubro de 2002 as 00:36, por: cdb

Rússia e França manifestaram nesta sexta-feira oposição a uma possível votação sobre uma nova e mais severa resolução da ONU em relação à inspeção de armas iraquianas.

O presidente russo, Vladimir Putin, entrou em rota direta de colisão com os Estados Unidos ao afirmar que os inspetores de armas da ONU têm que voltar ao Iraque “o quanto antes”.

Um porta-voz do ministério do Exterior da França afirmou que “não há um motivo legal para uma nova resolução” para as inspeções do arsenal do Iraque.

A Turquia, aliado-chave dos Estados Unidos no caso de uma ofensiva militar contra Saddam Hussein, também se manifestou e afirmou que qualquer ataque ao Iraque precisa ter o apoio da comunidade internacional.

Armas escondidas

Apesar da resistência de importantes aliados, Washington intensificou sua pressão sobre o Iraque nesta sexta-feira e acusou o governo de Saddam Hussein de esconder projetos para desenvolver armas de destruição em massa desde que o país concordou com a volta dos inspetores.

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha não querem que os inspetores partam para o Iraque até que uma nova resolução da ONU seja aprovada.

Os dois países querem que o Conselho de Segurança aprove o esboço de uma nova resolução exigindo que o Iraque permita acesso ilimitado, em qualquer lugar do país, com uma clara ameaça de ação militar caso o governo de Saddam Hussein não cumpra com a promessa.

O inspetor-chefe, Hans Blix, já indicou que não vai iniciar os trabalhos até que a disputa diplomática seja resolvida.

Veto

A Rússia detém poder de veto no Conselho de Segurança e pode bloquear a resolução proposta pelo presidente americano, George W. Bush, que permite o uso de força se o Iraque não aceitar as inspeções sem restrições.

Há sinais de que os Estados Unidos poderiam ceder e talvez aceitar a proposta francesa de separar as inspeções das retaliações militares em duas resoluções separadas.

Segundo Justin Webb, correspondente da BBC em Washington, a Casa Branca não gostou da solução proposta pela França, mas o Departamento de Estado parece achar a saída aceitável.

Diplomatas britânicos e americanos estão tentando chegar a um acordo sobre um texto, mas a Rússia e a China parecem ter concluído que uma resolução não seria necessária, agora que o Iraque aceitou receber os inspetores de armas da ONU.

Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, Putin disse que “há uma urgência para garantir o desembarque da missão de inspetores da ONU o mais rápido possível”.