Ativista italiano Cesare Battisti será transferido para Brasília

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Publicado segunda-feira, 19 de março de 2007 as 11:58, por: cdb

O italiano Cesare Battisti, 52 anos, apontado pelo governo italiano como ex-terrorista de extrema esquerda, que foi preso em Copacabana, na Zona Sul do Rio neste domingo, será transferido para Brasília em um avião da Polícia Federal às 15h desta segunda-feira.

Ele passou a noite de domingo na sede da PF do Rio. Foragido há 26 anos em seu país, ele foi preso no calçadão da Praia de Copacabana. Battisti estaria vivendo no Brasil desde 2004 e a prisão foi resultado de uma ação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e agentes italianos e franceses, segundo informou a PF.

Ainda no domingo, ele recebeu a visita do advogado brasileiro Marco Moura, contratado para defendê-lo. Moura não quis dar entrevista porque disse que ainda tinha poucas informações sobre o caso.

A notícia da prisão teve destaque na imprensa internacional, inclusive na versão pela internet do jornal Le Monde da França, e La Repubblica, da Itália.

O Brasil tem tratado de extradição com a Itália em vigor desde 1994. A prisão Cesare Battisti no Rio foi comemorada pelo governo italiano, que elogiou a operação e diz que tem pressa que ele volte para a Itália. Mas a decisão da extradição será do Supremo Tribunal Federal do Brasil.
Battisti foi condenado à prisão perpétua em seu país, em 1993, por envolvimento em quatro assassinatos cometidos em 1978 e 1979. Ele era tido como um dos chefes da organização de extrema esquerda ”Proletários Armados pelo Comunismo”, mas sempre negou os crimes.

 Entenda o caso

Cesare Battisti foi preso na Itália em junho de 1979, durante investigação sobre atos terroristas de grupos de esquerda, e fugiu do país em outubro de 1981.

Ele encontrou refúgio na América Latina e depois na França, nos anos 80, o então presidente François Mitterrand se negava a extraditar ativistas italianos de esquerda.

Na França, onde vivia legalmente, o ex-ativista se reinventou como escritor, tendo publicado 12 romances policiais. Pai de duas filhas, garantia um salário mensal como porteiro.

A Justiça francesa, após a mudança da legislação de extradição, chegou a deter o ativista italiano em fevereiro de 2004 e finalmente aceitou a entregá-lo à Itália em outubro do mesmo ano, mas Battisti fugiu do país antes disso. As investigações apontam que ele estaria vivendo no Brasil há três anos.