Atentado em gigantesca manifestação de apoio a Chávez: dois mortos

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Publicado sexta-feira, 24 de janeiro de 2003 as 00:08, por: cdb

Centenas de milhares de pessoas participaram de uma gigantesca manifestação de apoio ao presidente Hugo Chávez, que transcorria sem incidentes até ocorrer uma explosão matando pelo menos duas pessoas e ferindo outras 14, segundo fontes do Corpo de Bombeiros.

Mas o incidente não interrompeu a manifestação, que se prolongou até o final da noite, com longo discurso do dirigente venezuelano.

Falando a um número estimado de cerca de 300.000 pessoas, Chávez agradeceu à solidariedade da comunidade internacional e ressaltou seu propósito de derrotar a greve geral promovida pela oposição, que já dura 53 dias e que denunciou como golpista.

Chávez agradeceu expressamente ao Brasil, pelo esforço em mediar a crise na Venezuela, ressaltando ter estado dias atrás em Brasília, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem se referiu como “companheiro e amigo”.

“Que viva Lula e que viva o Brasil”, disse motivando palmas entre os manifestantes.

O dirigente venezuelano em seguida comunicou que iria a Porto Alegre, participar do Fórum Social Mundial” no qual estão representados os povos que buscam alternativas ao neoliberalismo feroz no mundo”.

Chávez também agradeceu ao apoio recebido do Equador, da Argentina e de outros paises latino-americanos, manifestando particular reconhecimento a Cuba e seu dirigente Fidel Castro.

O dirigente venezuelano apresentou um projeto de lei para limitar a ação das empresas de comunicação, incluindo emissoras de rádio e televisão, e leu um de seus artigos, em que se proíbe a divulgação de anúncios incitando à violência.

“Haverá festa na Venezuela quando este projeto for aprovado”, disse.

A manifestação coincidiu com a comemoração dos 45 anos de queda do último regime militar no país e se segue à decisão da Suprema Corte de sustar um referendo promovido pela oposição para afastar Hugo Chávez do governo.

Cantando “Chávez está aqui para ficar”, os manifestantes haviam cruzado a cidade de leste a oeste ocupando inteiramente a Avenida Bolívar, quando ocorreu o atentado.

Forças da Polícia de Caracas imediatamente isolaram a área, temendo a existência de outros explosivos.

Fontes policiais disseram que o explosivo, aparentemente uma granada, estava em uma lata de lixo nas proximidades de uma estação de metrô.

A explosão ocorreu a cerca de um quarteirão do final da Avenida Bolivar, no momento em que o chefe do governo venezuelano estava sendo levado pela multidão para um palanque de onde iria discursar.