Atentado coloca Arábia Saudita no centro das preocupações dos EUA

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Publicado segunda-feira, 10 de novembro de 2003 as 00:29, por: cdb

O atentado em Riad volta a colocar a Arábia Saudita, um aliado sob estrita vigilância em Washington, no centro das preocupações norte-americanas em matéria de terrorismo. O ataque, atribuído à rede Al-Qaeda, aconteceu no momento em que os Estados Unidos divulgavam o fortalecimento de sua cooperação antiterrorista com o reino.

O governo norte-americano, no entanto, continua mantendo suas suspeitas em relação à Arábia Saudita e está preocupado com sua possível desestabilização.

O presidente George W. Bush garantiu no último domingo ao príncipe herdeiro saudita, Abdullah, que os Estados Unidos apóiam seu país diante do terrorismo.
 
– O presidente falou com o príncipe herdeiro pela manhã e transmitiu suas condolências ao povo da Arábia Saudita e às famílias dos mortos no ataque de ontem – informou um funcionário da Casa Branca.

– O presidente também disse ao príncipe herdeiro que os Estados Unidos estão com a Arábia Saudita na luta contra o terrorismo –  acrescentou a fonte.

Um membro da Comissão de Inteligência do Senado dos EUA indicou no último domingo que o comitê havia sido alertado recentemente sobre a iminência de um atentado deste tipo.
 
– Recebemos há cerca de uma semana um relatório advertindo que a Arábia Saudita poderia ser alvo de um atentado – disse o senador republicano Pat Roberts ao canal de TV Fox News.
Roberts destacou que a cooperação antiterrorista com Riad havia ficado ‘muito melhor’ depois dos atentados do último dia 12 de maio na capital saudita. Disse ainda que estas ações buscam enfraquecer a família real.
 
– Isso mostra que a família saudita também é alvo do terrorismo – afirmou.

A situação na Arábia Saudita passou a ser acompanhada com particular atenção em Washington depois dos atentados do 11 de Setembro, em que 15 de seus 19 protagonistas eram de origem saudita. O suposto cérebro dos atentados, o chefe da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, também é de origem saudita, apesar de ter sido privado de sua nacionalidade.

Uma parte da classe política e dos meios de comunicação americanos não deixou de criticar, desde então, a suposta atitude ambígua do reino, acusado de ser ao mesmo tempo aliado dos Estados Unidos e fonte de apoio aos movimentos fundamentalistas islâmicos.
 
O governo norte-americano esforçou-se, no entanto, para manter uma linha mais equilibrada com o aliado, maior exportador mundial de petróleo e sócio decisivo em temas como Iraque e o conflito israelense-palestino.

Estimando que o reino poderia fazer mais para perseguir os extremistas e cortar suas fontes de financiamento, as autoridades americanas deram sinais de satisfação diante do fortalecimento da cooperação com Riad. Um funcionário do Departamento de Estado declarou recentemente que ‘é deturpar completamente os fatos (…) dizer que não estamos satisfeitos com o que os sauditas fazem’.