Ataques pré-eleitorais matam 19 iraquianos e um marine

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 21:45, por: cdb

A três dias das eleições iraquianas, os insurgentes contrários à sua realização mataram 19 iraquianos e um marine norte-americano e atacaram seções eleitorais em áreas sunitas do país, na quinta-feira.

O grupo militante islâmico Exército de Ansar Al Sunna divulgou um “alerta final” dizendo que quem ousar votar estará marcado para morrer, seja durante ou depois da eleição.

– Quem não obedecer arcará com as consequências – , disse o grupo em nota divulgada pela Internet.

Outra facção, do militante jordaniano Abu Musab Al Zarqawi, aliado da Al Qaeda no Iraque e responsável por alguns dos mais violentos ataques deste período, declarou “guerra santa” à eleição.

O pleito é parte essencial do plano dos Estados Unidos para transformar o Iraque em uma democracia, mas ele pode agravar a insurgência, ao alienar ainda mais a minoria árabe sunita, e incitar conflitos religiosos.

No incidente mais grave da quinta-feira, homens armados sequestraram e executaram quatro agentes da Guarda Nacional iraquiana em Ramadi, no oeste do país, segundo um oficial dessa força. Bilhetes foram presos aos quatro cadáveres, com alertas para quem colaborar com as tropas norte-americanas.

Em Samarra, ao norte de Bagdá, uma bomba num acostamento matou três civis. Outra explosão, perto de um quartel, tirou a vida de um soldado e de dois pedestres.

Os insurgentes também detonaram uma bomba em um prédio escolar que seria usado como local de votação, em Samarra, depois de exigir que os funcionários deixassem o local, segundo autoridades. Pelo menos cinco outras seções eleitorais tiveram explosões em cidades vizinhas.

Na noite de quinta-feira (à tarde no Brasil), houve quatro explosões em seções eleitorais de Ramadi, segundo a polícia. Um prédio foi destruído, mas não houve vítimas.

Em Basra, no sul, três pequenas bombas atingiram seções eleitorais, sem maior gravidade, segundo os militares britânicos.

Em Mahmudiya, reduto insurgente ao sul de Bagdá, um carro-bomba matou três policiais e um soldado, todos iraquianos. Os militares dos EUA disseram que um marine morreu e quatro ficaram feridos em um ataque na mesma área.

Um carro-bomba explodiu perto de uma base dos EUA em Ramadi, sem causar vítimas. Dois transeuntes haviam sido mortos antes em um tiroteio entre militantes e soldados dos EUA na zona oeste da cidade.

Em Baquba, a nordeste de Bagdá, um carro-bomba matou um policial e o militante suicida que o dirigia. Em Tikrit, cidade natal do ex-ditador Saddam Hussein, um tradutor das tropas norte-americanas foi morto por uma bomba numa estrada. Três outros policiais foram mortos em uma série de ataques.

A tensão é tamanha que a maioria dos candidatos mantém seu nome em segredo e as autoridades só vão divulgar os locais de votação em cima da hora, na esperança de que isso evite novos atentados.

– Eleições? Não sei nada de eleições. Ninguém me disse aonde tenho de ir votar – queixou-se Mohammed Saleh, 71, em Samarra.

O governo vai adotar medidas excepcionais de segurança nos próximos dias. O aeroporto de Bagdá e as fronteiras terrestres serão fechadas, o toque de recolher nas cidades será ampliado, e o tráfego nas rodovias será proibido.

Nos EUA, o senador democrata Edward Kennedy disse na quinta-feira que seu país deveria começar uma retirada política e militar do Iraque, de forma que já não tenha mais tropas por lá a partir de 2006.

Já os ex-secretários de Estado republicanos Henry Kissinger e George Schultz disseram que uma retirada prematura poderia desencadear uma guerra civil “que ofuscaria a da Iugoslávia”.

Na Suíça, onde participa do Fórum Econômico Mundial, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que a eleição iraquiana não será totalmente democrática e não vai conter a violência.

Os xiitas, que formam 60 por cento da população e foram oprimidos pelo regime de Saddam Hussein, apóiam a eleição, que deve lhes dar a hegemonia política.

Vários partidos sunitas, por outro lado, decidiram boic