Ataque israelense contra a Síria altera a situação no Oriente Médio

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 13 de outubro de 2003 as 11:18, por: cdb

O primeiro ataque aéreo israelense contra a Síria em três décadas abalou uma convenção importante do conflito árabe-israelense – que estes dois inimigos não se atacam diretamente.   

Independentemente da violência que atingia a região, a fronteira entre Síria e Israel estava calma desde o armistício que seguiu a guerra árabe-israelense de 1973. Se quisessem combater, os inimigos lutavam no Líbano ou apoiavam organizações que atuavam na região.

O ataque do último domingo contra um suposto campo de treinamento para terroristas palestinos mudou essa fórmula, talvez para sempre.

“O jogo de representação acabou”, afirmou um diplomata ocidental. “Há um novo jogo no Oriente Médio que está apenas começando”.

Os diplomatas e analistas árabes acreditam que o governo Sharon, que agiu após o atentado suicida palestino que matou 20 pessoas em Haifa, agora planeja tratar Damasco da mesma forma que vem tratando o líder palestino Yasser Arafat nos últimos três anos. Ele vem sendo acusado de organizar todas as missões suicidas contra Israel e foi isolado.

O debate em Damasco tenta determinar o que o governo fará. A Síria minimizou a importância do ataque sobre o que qualificou como um campo de treinamento desativado. Um ataque mais visível não poderia ser minimizado.

Para a Síria, um ataque direto a Israel seria uma tolice diante do desequilíbrio de forças, mas ignorar um ataque aéreo mais sério eliminaria um dos pilares do regime Assad: que Damasco permanece como o último reduto da força árabe a enfrentar Israel.

“Agora as regras do jogo mudaram”, afirmou Abdel Bari Adwan, um respeitado editor árabe em Londres, durante um extenso debate sobre o assunto que foi exibido pela rede Al-Jazeera no último fim de semana. “Eu gostaria que a Síria se defendesse; agora eles devem se defender sozinhos, porque foram atacados em seu território”.

Mas o envelhecido equipamento soviético da Síria não é páreo para o equipamento militar americano mantido por Israel. No último confronto sério, a invasão do Líbano em 1982, a Força Aérea Síria perdeu 79 aviões e os israelenses não perderam nenhum.