Ataque de “choque e pânico” é lançado pelos EUA

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Publicado sexta-feira, 21 de março de 2003 as 17:43, por: cdb

Forças lideradas pelos EUA deflagaram um ataque aéreo maciço contra alvos em Bagdá e em outras partes do país nesta sexta-feira, numa elevação da escala da guerra para tirar Saddam Hussein do poder.

Tropas americanas e britânicas ocuparam a cidade de Umm Qasr, o único porto do Iraque, após derrotar forças iraquianas. Fontes do Pentágono definiram o dia de hoje como o “Dia A”, ou “dia do ataque”, marcando o início da tática de “choque e pânico”.

O ataque aéreo a Bagdá envolveu mísseis de cruzeiro, lançados por navios no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho. Bombardeiros B52 decolaram de bases na Inglaterra horas antes de as bombas começarem a cair, e dúzias de aviões F-14 Tomcats e F/A-18 Hornet, carregados de bombas, partiram do porta-aviões USS Kitty Hawk.

Fontes americanas dizem acreditar que Saddam Hussein e seus principais auxiliares vêm perdendo controle sobre o país.

Tropas dos EUA, Grã-Bretanha e da Austrália avançam sobre os poços de petróleo no sul do Iraque, na esperança de evitar sabotagem por parte das tropas leais a Saddam, que recuam e vêm sendo acusadas de atear fogo aos poços.

Na parte ocidental do país, dois campos de pouso e decolagem de aviões foram capturados. Acredita-se que esses campos abriguem mísseis Scud, capazes de atingir Israel. Dois fuzileiros navais americanos foram mortos em combate hoje, dizem fontes militares.

O Iraque disparou um míssil al-Fatah, ilegal, contra o Kuwait, mas o projétil foi derrubado pelo fogo antiaéreo.

Na cidade iraquiana de Safwan, fuzileiros americanos derrubaram gigantescos retratos de Saddam Hussein, e alguns moradores juntaram-se ao major David Gurfein numa comemoração, gritando “Iraquianos! Iraquianos!”, com os punhos fechados para o alto.

A Turquia concordou em permitir o sobrevôo do país por aviões militares americanos com destino ao Iraque. Dois corredores aéreos seriam abertos para os Estados Unidos no espaço aéreo turco, disse uma autoridade.

Enquanto a guerra prossegue, as discussões diplomáticas sobre o que acontecerá em seguida sofrem reveses. O presidente da França, Jacques Chirac, um oponente da guerra, disse que vetaria qualquer autorização da ONU para que os EUA ou a Grã-Bretanha administrem o Iraque.